A marca italiana Benetton anunciou esta quarta-feira a decisão de retirar da sua nova campanha publicitária uma fotomontagem que mostra o Papa Bento XVI a beijar na boca o imã da universidade egípcia de Al Azhar, Ahmed el Tayyeb.

«Lembramos que o sentido desta campanha é exclusivamente combater a cultura do ódio sob todas as formas», comentou, em comunicado, a Benetton, lamentando o fato de a utilização da imagem ter «ofendido os sentimentos dos fiéis».

O anúncio da decisão da Benetton foi divulgado minutos depois que o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, ter informado em nota oficial que a Secretaria de Estado do Vaticano estudava possíveis medidas para «garantir o respeito à figura do Santo Padre». O Vaticano considerou a fotomontagem falta de respeito a Bento XVI.

O Vaticano afirmou que a campanha se trata de «um uso inaceitável da imagem do Santo Padre, manipulada e instrumentalizada no marco de uma campanha publicitária com fins comerciais».

Na campanha «UnHate», lançada esta quarta-feira, com acções em Roma, Milão e Telavive, o tema central é o beijo e resume-se a um slogan: «Neste mundo, o ódio nunca é apaziguado pelo ódio. Só o não odiar pode apaziguar o ódio».

Os cartazes mostram o Papa Bento XVI a beijar Ahmed Mohamed el-Tayeb, imã da mesquita de Al-Azhar, no Cairo, Obama a beijar o presidente chinês Hu Jintao e noutra imagem a beijar Hugo Chávez, Merkel a beijar Sarkozy, e um beijo entre os líderes de Israel e Palestina.

«Embora o amor global seja uma utopia, o convite a não odiar, a combater a cultura do ódio, é um objectivo ambicioso, mas realista», afirmou Alessandro Benetton, vice-presidente do grupo Benetton. «Com essa campanha, decidimos dar ampla visibilidade ao ideal de tolerância e convidar cidadãos de todo o mundo a reflectir sobre como o ódio nasce principalmente do medo do outro e do que não nos é familiar».

No comunicado que apresenta a campanha, a empresa afirma que os anúncios que mostram beijos entre líderes mundiais têm «um toque de ironia e de provocação construtiva».

Ainda de acordo com a Benetton, as «simbólicas imagens de reconciliação» entre líderes mundiais que costumam divergir em questões políticas e religiosas «estimulam a reflexão» sobre como o diálogo deve superar as divergências.