Marcelo Rebelo de Sousa deixou este sábado um alerta à direita no Jornal das 8 da TVI. O professor traçou o melhor cenário para o partido de Paulo Portas e o pior para Portugal.

O comentador da TVI afirma que em caso de empate nas eleições, como mostram as sondagens, ou de um ligeira vitória de Sócrates, Portas pode optar por uma coligação com o PSD, deixando assim os sociais-democratas reféns do CDS-PP.

«Já viu o cenário melhor para o CDS? O cenário melhor para o CDS e péssimo para o país era: Sócrates ter ligeiramente mais votos do que Passos Coelho e praticamente empatados, perguntar ao CDS» se formaria Governo com o PS e Portas optar antes pelo PSD.

Se o fizesse, Marcelo explica que nesse caso tínhamos «um líder do PSD primeiro-ministro que não ganhou as eleições ou tinha empatado com o líder da oposição. Quem mandava em Portugal? O CDS. O CDS com 13 ou 14 por cento mandava no Governo de Portugal».

«O PS pegou em metade do Bloco de Esquerda e sugou. O que se passa à direita? O contrário. O voto útil que há à esquerda, à direita não existe. Paulo Portas pôs-se na posição de pai da pátria. Ele está a arbitrar entre o PS e o PSD», defendeu.

O professor defendeu que o debate de Portas ¿ Sócrates, que pode acompanhar na TVI, vai ser determinante. «Portas vai aparecer como alternativa a Sócrates. É a primeira vez que na história da democracia portuguesa que o CDS se põe nessa posição. É uma posição impossível. Obviamente não é alternativa. Mas ao pôr-se nessa posição há muita gente no centro-direita que hesita e entre votar PSD ou CDS».

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que Passos Coelho deve dramatizar o discurso, como fez este sábado ao afirmar que não haverá alianças com o PS, uma vez que é um caminho viável. «Tem de radicalizar um bocadinho para ganhar espaço. Ele está a ser apertado pelos outros que são bonzinhos, amigos todos uns dos outros. Ele tem de alargar espaço, dramatizando um pouco».

---O comentador da TVI defendeu ainda que Passos deve aproveitar o discurso de Cavaco Silva. «Cavaco fez um discurso que no fundo foi mais pancada em Sócrates do que propriamente elogio a Sócrates. Deu jeito. Omitiu o chumbo do PEC 4, o mal veio todo da gestão dos últimos anos da governação. Isto ajuda. É preciso potenciar isso. Passos Coelho tem de potenciar isto nas próximas semanas», disse. ---