Greg Valliere, do Schwab Soundview Capital Markets, tem a resposta: «É o medo provocado pelo terrorismo.» O chefe da equipa de estratégia política considera significante a reviravolta que os mercados assistiram a seguir aos atentados de Madrid, a 11 de Março, após mais de um ano de recuperação.

Mais recentemente, foram os receios de que a rede terrorista de Bin Laden, a al-Qaeda, tivesse planos apara actuar nas eleições presidenciais norte-americanas e atacar as grandes instituições financeiras, atirando o volume de transacções nos mercados norte-americanos para baixo. Os pequenos investidores investiram menos capital nos fundos de acções e os depósitos a prazo atingiram máximos históricos.

«Quem não se preocupa com os ataques não tem pulsação», afirma A. G. Edwards, estratega de mercado da Al Goldman.

Então o que pode ser feito?

O que podem fazer os investidores além de se preocuparem? O estratega dá uma resposta que vai contra o instinto natural: comprar. Quando os investidores se sentem assustados, «é tempo de investir na bolsa», declara A. G. Edwards.

A história confirma o que o estratega afirma. Seis meses após os atentados do 11 de Setembro, o índice para as small caps S&P 500 valorizou 11%. Por outro lado, as quedas de 2002 têm mais a ver com o escândalo financeira da Enron e com a bolha das tecnológicas e telecoms do que propriamente com o 11 de Setembro.

Claro que fazer os que o estratega da Goldman afirma é complicado. O instituto natural não é investir quando o cenário é de queda, até porque mais ataques terroristas podem servir de gatilho para outro crash nos mercados. É, assim, complicado para um investidor manter-se no mercado de acções, dados os riscos.

Mas mesmo que no futuro, os ataques sejam mais destrutivos do que aqueles verificados nos Estados Unidos a 11 de Setembro, a vida e os negócios continuam. Por exemplo, quando os palestinianos declararam a Intifada em Setembro de 200, o índice da bolsa israelita, o Tel Aviv 100, pareceu apático, mas três anos depois começou a subir de forma sustentada. O mercado accionistas de Israel recuperou 7% desde o início da Intifada. No mesmo período, o índice norte-americano S&P 500 avançou 15,8%.

«Se fizermos uma retrospectiva a todos os ataques terroristas nos últimos 25 anos, na realidade não resultaram numa real e sustentada queda dos mercados», conclui Jeffrey Kleintop, chefe da equipa de estratégia de investimento na PNC Advisors.

Também Jim Huguet e Matt Stephani do fundo Idex Great Companies America estão convencidos que qualquer ataque iria criar uma oportunidade compra, nesta medida subiram a sua posição de capital disponível para investir de 2% para 7%. Se existe venda devido a receios de novos ataques, «queremos ter dinheiro para investir».

E o que fazer com a ansiedade presente nos mercados? Greg Valliere acredita que está próxima de acabar. «Existe muito dinheiro para investir», afirma o mesmo. «Se passarmos o Dia do Trabalhador (nos Estados Unidos), podemos começar a ver ganhos», estima o estratega do Schwab Soundview Capital Markets.

Mas o perigo de ocorrência de ataques terroristas não termina com o fim do Verão. Os próximos anos mostram-se incertos. A melhor solução é não entrar em pânico. A lição para a história é clara: coisas terríveis podem acontecer, mas pessoas e mercados adaptam-se.
Sandra Pedro