Jerryne Mahele Nyota nem queria acreditar quando a mãe lhe ligou a contar que tinha perdido o voo de ligação que a devia levar a Paris e que a companhia aérea lhe tinha proposto que passasse a noite no mesmo quarto de hotel, com uma só cama, com um completo estranho.

O caso aconteceu, no último dia 19 de julho, em Montreal, no Canadá, depois do voo proveniente de Ottawa se ter atrasado e Elizabeth Coffi Tabu, de 71 anos, utilizadora de cadeira de rodas por causa de problemas de mobilidade provocados por tratamentos contra o cancro, ter perdido o avião rumo a Paris. Tinha acontecido o mesmo a um homem de 35 anos e a Air Canada convidou-os a partilhar o mesmo quarto.

“A minha mãe disse à Air Canada ‘eu não conheço este homem. Nós não somos um casal’, mas eles disseram-lhe que só havia um quarto", contou à CNN Jerryne Mahele Nyota.

A mulher estava sem telemóvel e não conseguiu contactar a filha no aeroporto. Foi para o hotel com o homem, apesar de temerosa. Quando lá chegaram, nova surpresa: o quarto só tinha uma cama. Sem alternativa à vista, o homem ofereceu-se para dormir no sofá. Mas Elizabeth não se sentia confortável com a situação e contactou a filha.

“Ele foi um perfeito cavalheiro. Mas claro que me sentia desconfortável com a minha mãe a passar a noite com um estranho com metade da idade dela. Um perfeito estranho!”, sublinha Jerryne.

A filha contactou o hotel e a Air Canada. Depois de muitos telefonemas e três horas depois, a situação lá se resolveu: a companhia aérea arranjou outro hotel para a mãe passar a noite.

Na manhã seguinte, Jerryne foi propositadamente de Ottawa até Montreal, para se certificar que a mãe estava bem e embarcava no voo certo, rumo a Paris, depois de passar um mês com a filha.

A Air Canada emitiu, entretanto, um comunicado, citado pela CNN, onde assegura que não é política da empresa colocar passageiros que não viajem juntos a partilhar o mesmo quarto. “Neste caso, houve um erro inicial, ao reservar os quartos”, justificou a companhia aérea.

Depois de uma queixa apesentada, a mulher viajou para Paris num lugar mais espaçoso e teve direito a dois vouchers de 10 dólares para comida. Chegou ao destino com quase 24 de atraso.