Dois casais acreditam que os seus filhos recém-nascidos foram trocados numa maternidade, no Brasil. Agora, as duas famílias decidiram viver juntas, até que os resultados do ADN comprovem de quem são os bebés, informa a imprensa brasileira. 

A primeira suspeita de que algo não estaria bem partiu de um dos pais. Assim que pegou no filho, que nasceu a 9 de julho, o homem não encontrou qualquer parecença física, nem com ele, nem com a mulher. Ambos morenos, tinham um filho branco e de olhos azuis.

“Ele é bem branquinho, bem clarinho, e eu sou moreno, a minha esposa é morena. Foi aí que começou a haver desconfiança de que poderiam ter trocado [os bebés]”, comentou o pai, à Globo.

O homem questionou a fidelidade da mulher, mas ambos acabaram por concordar em pedir um teste de ADN, no dia 22 de julho. Quatro dias depois veio a confirmação: o bebé não era de nenhum deles.

O advogado da mulher contou que o parto foi bastante complicado, e que a mãe nunca chegou a ver o filho depois de nascer. Acredita-se que, quando o menino foi entregue pelas enfermeiras, já tinha sido trocado.

No primeiro momento o impacto foi muito grande, que causou, sem sombra de dúvidas, uma dor imensa na mãe ao descobrir que não era a mãe biológica do filho que ela carregava há 18 dias. Em relação ao transtorno, é lógico que desde a primeira desconfiança o ambiente familiar foi todo alterado”, disse o advogado.

Na mesma maternidade do estado de Goiás, um outro casal deparou-se com o mesmo problema. Tiveram um filho, mas a criança não tinha quaisquer semelhanças com os progenitores.

As famílias levaram o caso à Polícia Civil, que continua a investigar os dois casos. O delegado André Fernandes explicou que, embora o teste de ADN valha como prova, são necessários exames complementares para confirmar as paternidades.

Agora esperamos encontrar o nosso filho, porque um é filho do coração, que já criámos com afeto, com amor. Mas o filho verdadeiro, de sangue, não sabemos. O sentimento é uma coisa, assim, horrorosa. De saber que o bebé com quem já criámos afeto, intimidade, amor, vamos ter de o devolver, percebe?”, disse o pai de um dos bebés.

O hospital reagiu, e veio esclarecer que, "assim que foi notificado da suspeita da troca dos bebés, instaurou uma comissão de inquérito para apurar o caso e afastou as pessoas que estavam de serviço no berçário nos dias dos nascimentos e altas das mães e dos bebés".

Quando os dois pais foram à polícia, as autoridades aconselharam-nos a trocar as crianças, mas as famílias recusaram e optaram por outra solução. Até que sejam desfeitas todas as dúvidas, os dois casais decidiram ir viver juntos. A ideia é não estarem mais tempo longe do seu filho, seja ele qual for.

A troca é o que eles [Polícia Civil] queriam, mas nós não. Combinámos que eu vou ficar na casa do Genésio até sair o resultado do ADN. É a melhor forma de as mães não sofrerem tanto. Agora vamos ter que conviver juntos para sempre, virou uma família enorme. Tive um filho e agora tenho dois”, disse Murillo, pai de um dos bebés.

Enquanto a polícia e o hospital investigam o caso, as duas famílias vivem agora na mesma casa, até que tudo seja esclarecido. Os resultados devem ser conhecidos na próxima quinta-feira.

/ AG