Uma casa funerária dos Estados Unidos decidiu inovar numa campanha publicitária, fazendo alusão ao fenómeno negacionista da covid-19, numa altura em que a vacinação atingiu um ponto de estagnação, o que está a provocar um problema no país, que tem agora quase duas mil mortes diárias.

Uma carrinha da Casa Funerária Wilmore, na cidade de Charlotte, passou uma mensagem bem clara: "Não se vacinem", naquilo que é uma estratégia de marketing que também inclui o website, onde se pode ler: "Vacinem-se agora, senão, vemo-nos em breve".

Muito empresários e agentes de saúde pública estão a tentar aumentar a percentagem de população vacinada a todo o custo, utilizando diferentes formas, que vão desde o pagamento a comida grátis, mas também férias de luxo ou até bilhetes VIP para o Super Bowl (final da liga de futebol americano).

Atualmente, apenas 54,7% dos norte-americanos estão totalmente vacinados, uma percentagem considerada baixa num primeiros países a arrancar a vacinação. De resto, Portugal iniciou a campanha de vacinação cerca de duas semanas depois dos Estados Unidos, sendo que já tem 83% da população com esquema vacinal completo.

Para o lançamento da campanha, a Casa Funerária Wilmore contratou uma agência de marketing, que decidiu optar por uma estratégia disruptiva e, ao mesmo tempo, de responsabilidade social. A tarefa coube à Boone Oakley, que utilizou aquele negócio para fazer passar uma mensagem importante.

De resto, o mais importante é mesmo a mensagem, até porque aquela casa funerária já não está a funcionar. De resto, além da frase "Vacinem-se agora, senão, vemo-nos em breve", o website tem apenas uma hiperligação para um centro de agendamento da vacina.

Parece que a publicidade normal não está a funcionar. As mensagens normais que dizem 'vacinem-se' já são muito comuns", afirmou o diretor da agência publicitária, à CNN.

David Oakley explica que a Boone Oakley pretendia fazer alguma coisa perante o fenómeno negacionista, e por isso decidiu ter uma abordagem "chocante".

Além do problema da vacinação, os Estados Unidos são ainda o país com mais mortes em todo o mundo, contabilizando 676 mil óbitos por causa da covid-19, números que se estimam poderem subir até aos 800 mil até ao início de 2022.

António Guimarães