Um homem tentou evitar ir para a prisão fingindo a própria morte, mas foi apanhado depois de ter sido encontrado um erro na certidão de óbito emitida pelo seu advogado. A situação foi divulgada esta terça-feira pelos procuradores de Long Island, em Nova Iorque.

Depois de ter sido condenado a um ano de prisão por ter roubado um carro e ter tentado furtar um camião, foi-lhe ordenado que se apresentasse às autoridades em outubro de 2019 para cumprir um período de um ano de prisão. A acusação acredita que Robert Berger, de 25 anos, fingiu a própria morte para evitar esta condenação. Agora enfrenta um outro julgamento, onde pode ser sentenciado a mais quatro anos de cadeia por falsificação de documentos.

Nunca deixo de ficar admirada com os esquemas que algumas pessoas fazem para evitar serem presas", disse a procuradora do condado de Nassau, Madeline Singas, em entrevista à agência Associated Press.

Apesar das provas, Robert Berger diz-se inocente das acusações de falsificação de documentos. O homem tem uma próxima audiência marcada para 29 de julho.

O suspeito é agora defendido por um advogado oficioso, que assumiu o caso após o antigo representante de Robert Berger ter abandonado o processo. Segundo a agência AP, o advogado que submeteu a falsa certidão de óbito afirma ter sido manipulado pelo seu cliente.

Robert Berger acabou fugir do estado de Nova Iorque antes da data em que devia entrar na prisão. Ao mesmo tempo, e segundo a acusação, terá simulado o seu suicídio, utilizando a noiva para emitir um certificado que depois deu entrada através do advogado.

À primeira vista, a certidão de óbito parecia oficial, tendo todos os dados do Departamento de Saúde de Nova Jérsia e o respetivo selo dos registos. Mas, ao analisar o documento, o tribunal reparou num erro ortográfico, que chamou a atenção para uma análise mais exaustiva. No fundo, onde se devia ler a palavra 'registry' estava escrito 'regsitry' (em vez de 'registo' estava 'regsito').

Falsa certidão de óbito de Robert Berger

As autoridades acabaram por verificar novamente a certidão, reparando que existiam algumas inconsistências no tipo e no tamanho da letra utilizada.

O documento foi enviado para as autoridades que lá vinham representadas, que acabaram por confirmar que se tratava de uma falsa certidão de óbito.

Robert Berger acabou por ser encontrado vivo, com as autoridades a descobrirem que estava preso em instalações da cidade de Filadélfia, no estado da Pensilvânia. Sobre ele recaíam acusações de ter fornecido uma identidade falsa que terá sido roubada de um colégio. Este crime valeu-lhe uma sentença de um ano na prisão, que está a ser cumprida desde janeiro.

António Guimarães