A polícia do Irão prendeu, esta sexta-feira, 30 pessoas, por estarem a fazer ioga. Entre as razões para as detenções está a realização de uma atividade desportiva com homens e mulheres. O relatório policial também refere que os participantes estavam a utilizar “roupa inadequada” e a comportarem-se “inapropriadamente”. A lei iraniana não permite a realização de desportos mistos.

As autoridades de Gorgan, cidade onde ocorreu o incidente, disseram que o instrutor também foi detido, devido a não ter licença para dar aulas de ioga. A polícia obteve a informação através do Instagram do instrutor, que publicitava a realização de aulas de ioga mistas, o que significa a prática de mais uma infração, uma vez que a publicidade destas atividades ilícitas no Irão é também crime. A casa já estava sob vigia da polícia há algum tempo, lê-se no relatório da detenção.

Recorde-se que em 2017 a polícia iraniana deteve seis pessoas por estarem a fazer uma aula de zumba. Desde 1979 que a lei fundamental do Irão se baseia na Sharia, que não faz separação entre a religião e o direito. 

De acordo com a BBC, as autoridades iranianas baniram qualquer dança aeróbica, desde essa altura, assim como "qualquer movimento harmonioso ou lição que implique abanar o corpo".

Esta lei islâmica, que se baseia no Corão, proíbe expressamente a prática do ioga, independentemente do motivo. A ilegalização do ioga nos países que seguem a sharia prende-se, entre outras razões, com as seguintes: "formação de posições estranhas e vergonhosas"; "implica a imitação de posições animais"; "incita a nudez"; "encoraja uma dieta vegetariana".

A lei iraniana tem várias limitações no que diz respeito à existência de grupos mistos relacionados com atividades desportivas. Ainda recentemente o procurador-geral do Irão disse que não ia permitir a entrada de mulheres em jogos de futebol masculino.