Calder e Alexandra têm pouco mais de um ano e meio e uma história longa para contar. A começar pela sua concepção. Os pais, Graeme Berney-Edwards, são britânicos, foram concebidos nos Estados Unidos e a mãe é canadiana.

Simon e Graeme decidiram ter filhos em conjunto, mas sendo biologicamente impossível, recorreram a uma agência especializada em ajudar casais com procedimentos de fertilização in vitro.

De acordo com a BBC, que conta a história, a ideia inicial nunca foi terem dois filhos ao mesmo tempo. Quando recorreram à referida agência, a ideia era terem primeiro um filho com o material genético de um deles e, mais tarde, terem outra criança com o material genético do outro elemento do casal.

Simon e Graeme, com os filhos Calder e Alexandra. (Reprodução Facebook)

Ficaram em êxtase quando a agência os informou que podiam ser ambos pais, ao mesmo tempo e com a mesma mãe.

Depois de alguma ponderação, o casal britânico decidiu avançar com a ideia. Conseguiram uma doadora anónima nos Estados Unidos, a colheita dos óvulos foi feita em Las Vegas, metade foi fertilizada com o esperma de Simon e a outra metade com o esperma de Graeme.  

Os embriões conseguidos foram congelados e, mais tarde, parte deles foram colocados no útero de uma barriga de aluguer voluntária no Canadá.

Toda a gestação teve lugar no Canadá. Embora o recurso a uma barriga de aluguer no Reino Unido seja legal, a legislação canadiana facilita a realização de acordos entre a barriga de aluguer e os pais.

No Reino Unido, por exemplo, as certidões de nascimento são originalmente emitidas em nome da gestante e ela tem até seis semanas para decidir se quer ou não ficar com as crianças.

Escolhemos o Canadá porque gostamos da estrutura jurídica que eles têm, é muito semelhante ao Reino Unido, no sentido de que é muito altruísta, não é um negócio", disse Simon, em entrevista à BBC.

 

Para nós, era muito importante ter um bom relacionamento de longo prazo com a mãe de aluguer, porque não podemos ter um vínculo com a doadora de óvulos anónima. Queremos que eles tenham uma relação no futuro, mas a estrutura legal no Canadá é mais clara e oferece mais garantias", acrescentou.

Seis semanas antes do nascimento previsto o casal viajou para o Canadá, para, após o parto, trazerem os filhos para o Reino Unido. As crianças, agora com 19 meses, vivem no Reino Unido com os pais.

Simon e Graeme, com os filhos. (Reprodução Facebook)

O casal não pensa, para já, ter mais filhos. Sempre foi a intenção de ter um filho biológico de cada um. No entanto, ainda há nove embriões congelados e a resposta quando lhes é perguntado se ponderam voltar a ser pais é: “Não consideraríamos ter quatro, mas nunca digo nunca".