Bateu o martelo, fechou-se o leilão e Mike Patterson abriu os cordões à bolsa. O turista norte-americano pagou sete mil dólares - uns 6.400 euros - por um taco mexicano, concebido e confecionado pelo chef Juan Licerio Alcala, do hotel Grand Velas de Los Cabos, na província mexicana da Baixa Califórnia.

A iguaria, apresentada desde logo como "o taco mais caro do mundo", começou com uma base de licitação de 500 euros. A ideia era a de conseguir fundos para uma instituição local de apoio a crianças com cancro e problemas cardíacos.

Se a causa pode ser suficiente para quebrar os corações mais empedernidos, o recheio do tradicional taco - um crepe redondo feito com farinha de milho, como aquele o era também - poderia igualmente dar apertos de alma a qualquer um.

O chef Licerio Alcala esmerou-se. E não olhou a despesas, já agora. O taco foi apresentado em formato bouquet e pelo que se sabe, o recheio do crepe de milho tinha tudo o que era, senão bom, pelo menos extravagante. Veja-se a receita:

  • Folhas de ouro de 24 quilates a forrar o crepe de milho;
  • lagosta;
  • Bife Kobe, de vacas da raça wagyu, criadas na província de Hyogo, no Japão, onde são alimentadas com cereais e cerveja: cada quilo de carne pode custar uns 300 euros;
  • Caviar negro de esturjões Beluga;
  • Trufas brancas;
  • Molho de malaguetas morita e de café de civeta, o mais caro do mundo, cujos grãos são recolhidos nos escrementos do mamífero que habita alguns territórios asiáticos.

Conhecidos os ingredientes, percebe-se que o taco levado a leilão era algo diferente dos tradicionais que se vendem no México, com preços na ordem dos 50 cêntimos, com frango, abacate, tomate, alface ou feijão.

Pelas diferenças, o taco mais caro do mundo, como foi apregoado, começou por ser leiloado a um preço da ordem dos 460 euros. Que foi subindo, até chegar aos 6400 euros.

No fim, quando se pensava que Mike Patterson lhe daria uma valente dentada, como pessoa de boas causas, decidiu oferecê-lo a dois amigos. Que não revelaram se gostaram do petisco.