Paranóia, precaução ou positivamente não saber o que fazer ao dinheiro, certo é que algo está a levar muitos milionários norte-americanos, especialmente os que estão ligados a empresas de tecnologia, a comprar terras e redutos isolados, que tentam equipar de forma a poder sobreviver a um próximo apocalipse.

São os "preppers", no termo em inglês, ou seja, aqueles que anteveem e se preparam para uma catástrofe iminente, se bem que nem todos coincidam no que poderá aí vir: uma guerra nuclear, um conflito generalizado entre os muitos pobres e poucos ricos existentes no mundo, o choque de um asteróide gigante com o planeta Terra, um terramoto gigante, uma pandemia ou até uma invasão por zombies.

Aparementemente, tudo serve para se precaverem e gastarem rios de dinheiro. Especialmente na Nova Zelândia, algo que se tornou notado com uma recente disputa política no país, devido à rápida atribuição da cidadania a Peter Thiel, o multimilionário fundador do PayPal, um sistema de pagamentos na internet.

Num longo levantamento feito pelo jornal britânico DailyMail, a Nova Zelândia surge como o refúgio mais procurado pelos milionários do centro tecnológico de Silicon Valley, na Califórnia, e pelos que negoceiam no mercado bolsista de Wall Street, em Nova Iorque.

A explicação, segundo o DailyMail, estará no facto do país que fica nos antípodas de Portugal, ser potencialmente autosuficente, não estar na lista de alvos nucleares de nenhuma nação ou organização, além de ficar longe das ações do autointitulado Estado Islâmico, dos devaneios bélicos da Coreia do Norte e das tensões sociais vividas na Europa e Estados Unidos.

Vendas de terrenos dispararam

Peter Thiel, o multimilionário patrão do PayPal, tornou-se notícia recentemente por ter obtido a cidadania neozelandesa num tempo recorde, sem ter de viver três anos seguidos no país para o conseguir.

Sucede que Thiel, um apoiante de Donald Trump nas últimas presidenciais norte-americanas, gastara 10 milhões de dólares, cerca de 9,2 milhões de euros, numa propriedade de 2 mil quilómetros quadrados. Fica junto a um lago, na zona conhecida como os Alpes do Sul, uma paisagem que até serviu para rodar filmes da saga "O Senhor dos Anéis".

Percebeu-se depois que muitos outros milionários estavam a investir fortemente na compra de terrenos na Nova Zelândia. Incluindo o realizador de cinema canadiano, James Cameron. Nos primeiros dez meses de 2016, cidadãos estrangeiros - especialmente norte-americanos e australianos - compraram 3.600 quilómetros quadrados de propriedades, dez vezes mais do que as que tinham sido vendidas no mesmo período do ano anterior.

Outras paragens também servem

Além da Nova Zelândia, há outros locais que estão também a ser procurados por quem tem muito dinheiro. É o caso do Chile, com bom clima e impostos baixos, e do Havai, onde o inventor do Facebook, Mark Zuckerberg, comprou uma "pequena" propriedade com três mil quilómetros quadrados. Nada de mais, diga-se, já que o seu amigo fundador da Oracle, Larry Ellison, adquiriu 98 por cento da sexta maior ilha do arquipélago norte-americano no Oceano Pacífico, Lanai, e até uma companhia aérea só para si.

Mais comedidos, mas tão catastrofistas ou previdentes como muitos destes milionários, há também quem esteja a comprar propriedades mais acanhadas. É o caso do Survival Condo Project, um silo subterrâneo antinuclear localizado no Estado norte-americano do Kansas que foi remodelado num complexo de 15 andares com pequenos apartamentos de luxo, incluindo piscina, ginásio, salas de aulas e até um mini-hospital.

De acordo com o jornal DailyMail, o complexo tem câmaras de segurança ao nível do solo, cercas elétricas, um posto para um eventualmente necessário atirador e até mesmo uma cela para prender assaltantes ou visitantes indesejados. E em vez de janelas, tem ecrãs gigantes com tecnologia LED que mostram as imagens das pradarias em redor.

Os promotores do Survival Condo Project garantem que já venderam os apartamentos pelo valor de 3 milhões de dólares cada (cerca de 2,8 milhões de euros) e que estão a criar mais empreendimentos do género. Diz o chefe do projeto, Larry Hall, de seu nome, que a procura aumenta sempre que a Coreia do Norte faz um teste militar.

Redação