A chanceler alemã, Angela Merkel, demarcou-se esta segunda-feira de um dos ministros do seu gabinete que defendeu a saída da Grécia da zona euro, e reiterou a intenção de Berlim de manter Atenas na moeda única.

«A chanceler não partilha a avaliação do ministro do Interior», disse aos jornalistas na capital alemã, Steffen Seibert, aludindo à proposta de Hans-Peter Friedrich para se criarem «estímulos» para a Grécia sair do euro, divulgada no fim de semana pelo magazine «Der Spiegel».

O objetivo da coligação de centro-direita liderada por Merkel continua a ser «estabilizar a Grécia no interior da zona euro», disse o porta-voz do governo alemão, garantindo que o executivo «tem uma linha única e uma posição acertada» nesta matéria e apoia o requerimento ao parlamento do ministro das Finanças para aprovação do segundo resgate de 130 mil milhões à Grécia, que será votado hoje.

«A posição defendida por Wolfgang Schaeuble foi coordenada com todos os Ministérios, incluindo o do Interior», adiantou Seibert.

Friedrich é um dos três ministros da União Social-Cristã (CSU) da Baviera, ramo bávaro da União Democrata-Cristã (CDU), liderada por Angela Merkel.

Outros dirigentes da CSU, que tem adotado uma posição mais dura do que a CDU no que respeita às ajudas europeias, defenderam, tal como Friedrich, uma saída voluntária da Grécia do euro.

Horst Seehofer, líder da CSU e governador da Baviera, manteve-se à margem desta discussão, apelando a um voto favorável ao segundo pacote de ajudas à Grécia no parlamento federal.

Lembrou que no último congresso do partido foi aprovada uma moção que pondera a hipótese de a Grécia sair do euro, «como último recurso».

Por seu turno, os liberais do FDP, o outro partido da coligação de centro-direita em Berlim, criticaram abertamente as declarações de Friedrich.

«Com afirmações impensadas pode-se partir a porcelana muito depressa», disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Guido Westerwelle, lembrando que a Alemanha tem de respeitar os compromissos a assumidos a nível europeu.

O primeiro-ministro grego reúne-se na quarta-feira com o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.
Redação / CPS