O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) afirmou este domingo que seis pessoas, incluindo quatro mulheres, foram mortas em dezembro pelo Estado Islâmico (EI) no campo Al-Hol para pessoas deslocadas.

Controlado pela administração semiautónoma curda, o campo Al-Hol, que acolhe familiares de combatentes jihadistas, alberga cerca de 62.000 pessoas deslocadas, 93% das quais mulheres e crianças, metade provenientes do Iraque.

Segundo a organização não-governamental (ONG) sediada no Reino Unido, com uma extensa rede de fontes na Síria, "seis assassínios foram cometidos por células" do autoproclamado Estado Islâmico no campo desde o início de dezembro.

A última vítima foi morta a tiro no sábado.

Entre as vítimas encontram-se dois homens iraquianos e uma mulher, duas mulheres sírias e uma mulher cuja identidade não é conhecida, informou o OSDH.

Desde o início do ano, o número de mortes no campo tem aumentado e 86 pessoas, incluindo 63 refugiados iraquianos, foram mortas em Al-Hol, de acordo com a ONG.

O diretor da OSDH, Rami Abdel Rahman, advertiu para "a bomba-relógio em que o campo de Al-Hol se tornou", sublinhando à AFP que "o caos e a insegurança continuam dentro do campo".

Em março, as autoridades curdas tinham lançado uma grande operação que levou à detenção de 125 membros do EI no campo.

A Organização das Nações Unidas (ONU) tem alertado repetidamente para uma deterioração da situação de segurança em Al-Hol, abalada por tentativas de fuga e ataques a guardas e trabalhadores de ONG, bem como a residentes.

O campo, sobrelotado, acolhe cerca de 10.000 mulheres estrangeiras, os seus filhos e familiares de combatentes jihadistas.

Apesar das repetidas exortações dos curdos, a maioria dos países ocidentais recusa-se a repatriar os seus cidadãos alojados no campo, por receio de possíveis atos terroristas no seu solo.

Os países de origem dos combatentes e prisioneiros do EI não responderam aos pedidos das autoridades curdas para a criação de um tribunal internacional para os julgar.

/ RL