A organização não-governamental Amnistia Internacional anunciou esta quarta-feira que já não considera Alexei Navalny "prisioneiro de consciência" devido a discursos de ódio no passado, mas continua a pedir a libertação do opositor russo. 

A Amnistia Internacional decidiu internamente deixar de qualificar Alexei Navalny como 'prisioneiro de consciência' devido aos comentários que fez no passado", disse a organização não-governamental através de uma mensagem enviada à France-Presse confirmando as informações da imprensa russa. 

 

Alguns destes comentários, de que Navalny não se retratou publicamente, enquadram-se nos apelos ao ódio, sendo uma contradição com a definição de 'prisioneiro de consciência' adotada pela Amnistia Internacional", acrescenta a organização que garante continuar a lutar pela liberdade do oposicionista preso na Rússia. 

Alexei Navalny, 44 anos, preso em meados de janeiro quando regressou à Rússia depois de vários meses de convalescença na Alemanha na sequência do envenenamento de que afirma ter sido alvo por parte do regime de Vladimir Putin.

Navalny foi, entretanto, condenado a dois anos e meio de prisão no âmbito de um processo de fraude que remonta a 2014 que considera ter sido "um julgamento político".

Na primeira década do século XXI, Navalny participou em vários desfiles da "Marcha Russa", encontro anual de grupúsculos de extrema-direita e monárquicos usando um discurso nacionalista e racista para criticar, sobretudo, os emigrantes da Ásia central ou das repúblicas muçulmanas do Cáucaso russo.  

Navalny tornou-se o principal opositor do Kremlin depois de ter suavizado o discurso, abandonando a retórica do passado para se dirigir a todas as esferas políticas da oposição ao presidente Putin.

A decisão da Amnistia Internacional provocou uma vaga de críticas por parte dos aliados de Alexei Navalny, que consideram que a ONG, com sede em Londres, cedeu a uma campanha orquestrada para difamar o prisioneiro.

Ivan Jdanov, diretor do Fundo de Luta Contra a Corrupção, criado por Navalny, referiu-se considerou “vergonhosos” os critérios da Amnistia Internacional sobre o estatuto de "prisioneiro de consciência".

/ CE