O presidente-executivo da Soares da Costa, Pedro Gonçalves, disse este sábado que o consórcio vencedor da concessão do troço Poceirão-Caia da linha de Alta Velocidade (AV) pretende concorrer a «todos os troços anunciados no projecto de AV» em Portugal.

Pedro Gonçalves falava aos jornalistas após a cerimónia de adjudicação da concessão, realizada a poucos quilómetros de Évora e presidida pelo primeiro-ministro.

Soares da Costa ganha concurso para troço de TGV

A concessão daquele que é o primeiro projecto de AV no país foi atribuída ao consórcio ELOS - Ligações de Alta Velocidade, liderado pela Brisa e pela Soares da Costa.

«Trata-se do ganhar de competências novas e de acrescentar competências àquelas que já tínhamos e que nos vão [ao grupo Soares da Costa] abrir portas».

O agrupamento ELOS, revelou ainda o mesmo responsável, pretende concorrer a «todos os troços anunciados no projecto de AV» em Portugal.

Em declarações posteriores à Lusa, Pedro Gonçalves disse também que esta concessão permite pensar em projectos futuros noutros mercados.

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Durante a cerimónia, Carlos Fernandes, administrador da Rede Ferroviária de Alta Velocidade (RAVE), já tinha sublinhado que tanto a proposta da ELOS, que ganhou a concessão, como a outra finalista, do consórcio Altavia Alentejo, liderado pela Mota-Engil, eram «excelentes», dos pontos de vista «técnico e financeiro».

O mesmo administrador da RAVE elogiou ainda a «capacidade» demonstrada pelas empresas portuguesas no âmbito deste concurso do TGV.

À Lusa, Carlos Fernandes disse que este «é o primeiro passo concreto para passar o projecto do papel para o terreno», através de «um grande consórcio».

«Temos fundos comunitários num valor não habitual em Portugal, que vão começar a ser utilizados. Tudo isso é uma oportunidade única e irrepetível de executar este projecto».

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O ministro das Obras Públicas, António Mendonça, justificou à agência Lusa, à margem da cerimónia, a adjudicação do troço ao consórcio ELOS por ter sido aquele que, para a comissão de avaliação, apresentou «as melhores condições».

De acordo com os dados da RAVE, desde Dezembro de 2005 até Junho deste ano, foi possível reduzir em «cerca de 40 por cento» os custos estimados para a concessão do troço de AV Poceirão-Caia, numa extensão de 165 quilómetros.

Em 2005, o troço estava orçado em 2.260 milhões de euros, acabando por ser a sua concessão adjudicada por 1.359 milhões de euros, o que significa «menos 900 milhões de euros», disse o administrador Carlos Fernandes.

O valor global da concessão, no entanto, é de 1.494 milhões de euros, que inclui os custos do investimento (anunciado hoje por José Sócrates) mais os encargos inerentes à manutenção ao longo da vida toda da concessão, deflacionados e calculados à data de hoje, disse à Lusa Pedro Gonçalves.

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Redação