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«Renato Paiva tem todas as condições para ser treinador do Benfica»

Pedro Jorge da Cunha

Entrevista a Yuri Ribeiro, jogador português do Nottingham Forest - Parte II

No dia em que os pais viram jogar Youri Djorkaeff, ficou decidido que o filho mais novo se chamaria Yuri. Sem o 'o'. E assim Yuri nasceu em 1997, a replicar o nome do mago francês que, como diz, nunca viu jogar.  Aos 24 anos e no final de duas épocas de muito bom nível no Nottingham Forest, Yuri Ribeiro abre a porta ao Maisfutebol e volta aos primeiros anos de vida e de carreira. Fala-se de Djorkaeff, das caixas de pizzas que se acumulavam no quarto do centro de estágios do Seixal e de Renato Paiva, um dos treinadores que mais marcou o lateral esquerdo.  Yuri na primeira pessoa, de sorriso em riste. Um belo contador de histórias.PARTE I: «Assinei pelo Nottingham Forest com o peso das duas Champions nas costas» PARTE III: «Falhei no Benfica porque o Grimaldo fez a melhor época dele»Maisfutebol – Há alguma explicação para o nome Yuri?

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Yuri Ribeiro – Havia um jogador francês que tinha esse nome. Os meus pais estavam a ver um jogo dele, adoraram o nome e escolheram-no para mim. As pessoas pensam que tem origem ucraniana ou russo, mas é francês.

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MF – Refere-se ao Youri Djorkaeff, campeão do mundo em 1998 e da Europa em 2000 pela França?

YR – Exatamente. Um primo meu até me chamava sempre Yuri Djorkaeff. Eu já não o vi jogar, mas sei que era muito bom. Um craque.

MF – Onde nasceu o Yuri?

YR – Na Suíça. Os meus pais ainda lá estão a trabalhar. A minha mãe tem vários empregos: é babysitter e limpa bancos, empresas, casas. O meu pai trabalha na construção civil.

MF – Com que idade veio para Portugal?

YR – Tinha dois anos quando fui para Vieira do Minho. Viemos todos. Eu, o meu irmão [Ribeiro, jogador do Casa Pia] e os meus pais. Depois, quando eu tinha 12 anos o meu pai regressou à Suíça e eu fiquei com a minha mãe. O meu irmão já jogava no Marítimo. Comecei a jogar na escola de futebol Os Craques, depois fiz um ano e aos 15 anos mudei-me para o Benfica, em Lisboa. Foi quando cortei o cordão umbilical (risos).

MF – Portanto, o Sp. Braga foi buscá-lo a Vieira do Minho, mas ficou lá pouco tempo.

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YR – Duas épocas, dos 13 aos 15. Fui treinado pelo mister Tonau, o responsável por eu ir para lateral esquerdo, e depois pelo mister Pedro Duarte, que este ano esteve no Académico de Viseu. No final dessa época fui para o Benfica. Era juvenil B, mas fui logo para a equipa A do escalão, com o mister Renato Paiva.

MF – Gostou de trabalhar com o Renato Paiva?

YR – Muito, é um dos meus treinadores favoritos. Mantemos contacto e tem potencial para chegar a um nível muito bom. Quando falo a um nível muito bom, e se tivesse continuado na equipa B, tinha todas as condições para ser treinador principal do Benfica. Tem excelente ideias e ajudou-me a evoluir muito. As condições que encontrei nada tinham a ver com as que tinha anteriormente. O Sp. Braga, entretanto, cresceu bastante. Eu destacava-me no Sp. Braga, mas cheguei ao Benfica e senti dificuldades.

MF – Como é que um miúdo de 15 anos lida com uma mudança tão brusca na vida?

YR – Foi duro, mas esse era o meu sonho e tive de ir buscar forças a qualquer lado. A todos os lados. Quando cheguei ao Benfica lembro-me que os meus pais me deixaram no centro de estágio e… foram-se embora. Estava habituado aos meus pais, a minha mãe fazia-me tudo. É nessa altura que temos dúvidas, se devemos voltar a casa e isso faz a diferença entre o sucesso e os que desistem. Tentei ser forte mentalmente. Agarrei-me aos meus sonhos. Sabia que tinha de fazer esse sacrifício para triunfar.

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MF – Ficou a viver no centro de treinos do Seixal?

YR – Isso mesmo. Saí de casa e vi-me rodeado de dezenas de colegas (risos). Ia ao bar e estavam lá todos, na escola a mesma coisa, depois comecei a tratar da minha roupa, enfim. A rotina foi totalmente diferente. Cresci mais depressa, não tenho dúvidas. Quando eu tinha 16 anos, a minha mentalidade era de um homem de 25.

MF – Quem eram os seus colegas de quarto?

YR – O Rui Gomes, que agora joga no Leiria e é um dos meus melhores amigos. E o Hugo Neto, que joga no Louletano. Fiquei dois anos com o Rui e um com o Hugo, mas a relação é mais abrangente. Dava-me com toda a gente, ia jogar playstation para outros quartos, partíamos uns vidros a jogar à bola. Faz parte (risos). Criámos amizades enormes, não só entre jogadores. O sr. Sérgio e o sr. João eram os vigilantes, estavam sempre lá a fazer tudo o que era preciso connosco.

MF – O Yuri era dos mais brincalhões ou dos mais reservados?

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YR – Dos mais brincalhões. Há histórias muito engraçadas. A comida nem sempre era do nosso agrado. Às vezes era peixe e fazíamos algumas asneiras. À quarta-feira era sempre peixe. Certo dia chegámos ao refeitório e lembrámo-nos de encomendar umas pizzas. Tínhamos o número do senhor das pizzas e o Rui Gomes ligou para ele. Às vezes éramos dez e a entrega era feita na parte de trás do centro de estágios. Tínhamos de andar dez minutos a pé (risos).

MF – Tudo clandestino.

YR – Fomos lá para comprar as pizzas, cada um com o seu cartão de crédito e começámos a ver as luzes das lanternas dos seguranças. O Rui era o único com dinheiro e teve de pagar tudo com uma nota de 50 euros. Trouxemos as pizzas, fomos a correr e conseguimos fugir para os quartos. O sr. Sérgio bateu à porta e pusemos as pizzas no tejadilho da casa de banho, era lá o esconderijo (risos). Ele bem as procurou, mas não encontrou nada. Acabávamos de comer e metíamos as caixas das pizzas no tejadilho. Aquilo acumulou tanto que um dia foi lá um senhor arranjar qualquer coisa e caiu tudo (risos). As caixas todas de pizza, 20 ou 30, todas vazias.

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MF – Além do Rui e do Hugo, quem eram os grandes amigos do Yuri no Benfica?

YR – O Guga (Rio Ave) e o Diogo Gonçalves (Benfica), depois o Ruben Dias (ManCity) e o André Ferreira (Santa Clara). Havia mais, mas destacaria estes.

MF – Em Inglaterra fizeram-lhe muitas perguntas sobre o Ruben Dias?

YR – Muitas perguntas. Tanto no clube como nos jornais. Disse-lhes a verdade. Já o conheço há muitos anos e o que o diferencia é a mentalidade competitiva. Ainda não chegou onde pode chegar, acho que ele pode ganhar dez Ligas dos Campeões e sei que ele pensa assim. É a diferença entre um jogador bom e um jogador de topo mundial.

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