Marítimo-Sporting, 2-1 (crónica)

João Manuel Fernandes

Afinal a tradição já não é o que era O conjunto da Madeira mudou do dia para noite ao intervalo, justificando o terminar da tradição das vitórias leoninas no «caldeirão».

Após nove anos, o Marítimo acabou com a tradição do Sporting. Desta feita os leões não venceram e acabaram por perder já em tempos de descontos. Um começo apático, mas uma segunda parte de luxo justificou o triunfo dos madeirenses, perante uma turma leonina que se «apagou» por completo. Cajuda teve um dedo nesta saborosa vitória e que colocou de novo a sua equipa na liderança da SuperLiga. A partida teve até a «rábula» de uma rede furada e que levantou dúvidas aquando do golo da igualdade.

O Marítimo começou a partida com o seu esquema habitual, 4x2x3x1, mas os nomes nas diversas posições não eram os mesmos. Cajuda colocou Bino ao lado de Zeca como médio defensivo, Wénio fez a função de municiador do ataque, Alan atacou a ala direita e o «matador» Gaúcho descaiu para o lado oposto. Na frente, estreou-se o brasileiro Marcelo Carioca. Na defesa, nada de novo. E o Sporting que coleccionava já duas derrotas fora de portas, até entrou a todo o vapor, num 4x3x3.

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Logo aos quatro minutos, o brasileiro Rochemback deu o primeiro sinal de perigo, atirando forte para uma grande defesa de Marcos. Aqui notou-se a falta de marcação e os espaços que os madeirenses davam na sua linha média. Até aos primeiros 20 minutos, os leões dominaram. Marcos voltou a brilhar aos 16 minutos após remate de Lourenço e na sequência do canto, Beto quase desviou com sucesso, não fosse Albertino estar atento e tirar a bola na linha. Era um «apagão» completo da turma da Madeira. E se o aviso estava dado, o golo aconteceu mesmo ao minuto 23, com Liedson a fazer a sua estreia como marcador na SuperLiga, após uma boa combinação de Pedro Barbosa e Tello, com este a efectuar o cruzamento.

Depois a partida entrou numa toada mais morna para os lados de Alvalade. Por seu turno, os pupilos de Cajuda continuaram a mostrar algum receio de rematar à baliza de Ricardo e as coisas só melhoraram um pouco com a entrada de Márcio Abreu para o lugar do desinspirado Zeca.

Dedo e boca de Cajuda

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No segundo tempo tudo mudou. O intervalo foi um bom conselheiro para os locais. Provavelmente face às palavras que o técnico maritimista dirigiu aos seus atletas e pelas alterações que fez. Logo aos 51 minutos Márcio Abreu deixou-se antecipar após mais uma boa jogada de Alan, mas o Marítimo atacava e bem. O Sporting defendia, defendia e Fernando Santos bem saltava do banco e mandava a sua equipa avançar.

O técnino leonino preparava a entrada de Toñito quando o caso aconteceu. Alan correu quase todo o campo e só foi parado quase no limite da grande área do Sporting e em falta. Formou-se a barreira e o estreante Marcelo Carioca encheu o pé. Gritou-se golo, mas onde estava a bola? Tinha saído da baliza através de um buraco na rede. Alguns minutos de hesitação por parte do árbitro mas tudo se confirmou e o técnico leonino nem queria acreditar, chegando mesmo a entrar no relvado.

Até ao final, as mudanças efectuadas pelo líder leonino saíram em «pólvora seca» e só deu Marítimo. Alan continuava o seu festival e a defesa do Sporting não conseguia suster o ímpeto dos madeirenses. Os lisboetas acabaram por cair no mesmo erro cometido frente ao Moreirense. Pediram grande penalidade sobre Silva e esqueceram-se de defender, quando o Marítimo avançou para o contra-ataque. Rincón conseguiu fazer um excelente passe para o homem da noite: Alan não perdoou e coroou uma bela exibição com o segundo golo maritimista.

Vitória justa do Marítimo perante um Sporting que no segundo tempo voltou a revelar as insuficiências ou algum trauma de actuar fora de portas. O conjunto da Madeira mudou do dia para noite ao intervalo e para melhor, justificando o terminar da tradição das vitórias leoninas no «caldeirão».

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