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Covid-19: "O grande erro da Europa é as pessoas não usarem máscaras"

Emanuel Monteiro

Afirmação foi feita pelo maior especialista em coronavírus na China, o diretor-geral do Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças do país asiático

Por estes dias, George Gao já consegue respirar de alívio, porém ao longo dos últimos meses trabalhou de forma exaustiva na linha da frente do combate à Covid-19. É diretor-geral do Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças da China, fez parte da equipa que isolou e sequenciou, em primeiro lugar, o genoma do novo coronavírus e integra o grupo de cientistas que forneceu dados à Organização Mundial da Saúde sobre a doença, de modo a que fosse desenhada uma estratégia para responder à pandemia.

No final da semana passada, depois de uma espera de dois meses, a 'Science Magazine' conseguiu falar com o imunologista e, entre muitas outras perguntas, George Gao não se privou de responder à questão "quais os erros que os outros países estão a cometer? (no combate à pandemia)".

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O maior erro nos Estados Unidos e na Europa, na minha opinião, é que as pessoas não estão a usar máscaras. Este vírus é transmitido através de gotículas e pelo contacto de proximidade (...) pelo que se deve usar máscara, porque quando se fala, há sempre gotas que saem da boca. Como muitas pessoas têm infeções assintomáticas ou pré-sintomáticas, se usarem máscara, isso consegue evitar que as gotículas que transportam o vírus escapem e infetem os outros".

A certeza dada pelo investigador tem especial relevância pelo facto de ser o conselho oposto ao da Direção Geral da Saúde, em Portugal, que alega a sensação de falsa de segurança a que a máscara pode induzir e o risco acrescido de contrair o vírus ao manusear os tecidos do equipamento de proteção. Além disso, a DGS já alertou que não há máscaras para a população inteira. Da mesma forma, a Organização Mundial da Saúde desaconselha o seu uso para pessoas que não estejam infetadas. Neste sentido, as teorias contraditórias farão muitos pensar, uma vez que a China, onde grande parte da população usa máscara, conseguiu conter a doença, de tal forma que hoje já não é registado qualquer novo caso de transmissão comunitária.

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Na entrevista, George Gao afiança que "o isolamento social é a estratégia essencial para o controlo de qualquer doença infeciosa, especialmente as infeções respiratórias" e opõe-se à ideia de que o governo chinês tenha ocultado informação ao exterior sobre o vírus e a pandemia. 

O especialista garante que "não há evidência para dizer que já havia casos em novembro", o que torna mais frágil a teoria de que os primeiros infetados teriam sido detetados nesse mês, apesar de só serem anunciados ao público no mês seguinte.

Sobre a origem da pandemia, o virologista admite duas hipóteses: "No início, toda a gente pensou que a origem do vírus tinha sido o mercado de peix (em Wuhan). Agora, eu acho que o mercado, ou pode ter sido o local inicial, ou um lugar onde o vírus foi amplificado."

Na entrevista à 'Science Magazine', George Gao deixou, por fim, o sinal de esperança que grande parte do mundo quer ouvir: os medicamentos específicos para combater a Covid-19 vão começar a ser testados já neste mês de abril.

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