Harry Kane faz esta terça-feira 27 anos. O jogador formado no Tottenham, continua a fazer as delícias dos adeptos locais. São já 143 golos na Premier League (em 210 jogos), números que o tornam no melhor marcador da história do clube. É ídolo dos adeptos e ainda capitão da seleção inglesa.

Uma carreira de altos (individuais) e baixos (coletivos) de um jogador que tem golo fácil, e uma capacidade de leitura e interpretação dos lances muito evoluída.

O Tottenham descobriu em Harry Kane o todo-poderoso que Crouch nunca conseguiu ser. Sol Campbell também o poderia ter sido, é certo, mas preferiu apunhalar os adeptos, cuspindo na braçadeira de capitão que lhe tinha sido entregue ao trocar o emblema pelo seu maior rival, o Arsenal.

Sempre à procura de idolatrar um dos seus, Kane veio suprir essa necessidade: produto da formação, leal ao clube, o inglês prepara-se para ser imortalizado na camisola branca comandada por José Mourinho

 

Os empréstimos step by step

Com 17 anos, Kane foi emprestado pela primeira vez na sua carreia. O Leyton Orient, à época no terceiro escalão inglês, deu-lhe os minutos de jogo necessários. 18 jogos e cinco golos foi o saldo do inglês, que na época seguinte foi emprestado com o seu colega de equipa Ryan Mason para o Millwall, também de Londres.

Nessa temporada o registo do inglês melhorou e o registo de nove golos em 27 jogos acabou por ser decisivo para a salvação do clube. No ano seguinte, novo empréstimo: desta feita ao Norwich da Premier League, onde somou apenas cinco jogos, tendo rumado a Leicester nessa mesma temporada 2012-13.

Aí formou dupla de avançados com Jamie Vardy (imagine-se...). Fez 15 jogos, mas conseguiu marcar apenas por duas vezes. Regressou à casa que o  viu nascer.

 

A mão de André Villas-Boas

Aos 20 anos, o menino estreia-se na Liga pela Tottenham, sob alçada do português André Villas-Boas, que o lança numa partida frente ao Cardiff, aos 82 minutos. A partir daí, e já com Tim Sherwood no comando, o jogador ganha a titularidade na 33.ª jornada, nunca mais a perdendo até hoje, sete anos depois.

Golos e prémios individuais em abundância numa carreira sem títulos coletivos

O inglês já fez balançar as redes 143 vezes no campeeonato e foi o jogador mais rápido a chegar aos 20 golos na Liga dos Campeões, precisou apenas de 24 presenças para o fazer. No campeonato, foi o segundo jogador que chegou à marca dos «100» em menos jogos, atrás apenas do melhor marcador de sempre da competição: Alan Shearer.

Individualmente, foi jogador jovem da Premier League em 2014, jogador dos adeptos em 2017 e venceu a Bota de Ouro por duas ocasiões. Em 2016 e 2017. Foi ainda o melhor marcador do Mundial 2018, disputado na Rússia. Muita coisa, para um jogador que ainda não tem um troféu conquistado, seja por equipa, ou pela sua seleção.

Harry é um ídolo dos adeptos e um jogador que faz a diferença dentro de campo. Aquando da sua lesão prolongada no decorrer desta temporada, Mourinho lamentou a falta de soluções ofensivas. Subliminarmente, fazia o luto pela ausência do seu goleador. Um dos melhores do mundo, que aos 27 anos, merecia outros voos.

 
Afonso Cabral