O secretário-geral do PS acusou esta sábado o PSD e CDS-PP de encararem as eleições autárquicas como "uma jogada política", anunciando uma coligação "sem uma única ideia" e apenas com o objetivo de enfraquecer o Governo.

Estas críticas foram transmitidas por António Costa na abertura da reunião da Comissão Nacional do PS, que decorre em Lisboa, num discurso em que defendeu que o congresso deste partido, em julho, deverá ser um "momento alto de mobilização" para as eleições autárquicas - um ato eleitoral em que os socialistas pretendem voltar a conquistar a maioria das câmaras e das freguesias.

Num momento em que o país vive uma situação dramática do ponto de vista sanitário por causa da pandemia de covid-19, mas também dramática dos pontos de vista económico e social - com milhares de pessoas em angústia sobre o dia de amanhã e com muitos empresários a enfrentarem uma luta estoica para manter as suas empresas -, tenho a certeza que a última coisa que os portugueses querem ouvir falar é de jogadas políticas e de coligações contra o PS e contra o Governo", declarou António Costa na parte final do seu discurso.

Em contraponto, o secretário-geral do PS afirmou que o seu partido, do ponto de vista político, "não se distrai, não confunde qual é o seu objetivo e quais as suas prioridades".

A nossa prioridade não é combater o PSD, o CDS-PP, ou quem quer que seja", acentuou, num discurso em que também procurou evidenciar "o papel central" que terão as autarquias na execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) ao longo dos próximos anos.

Costa adverte que próximas semanas serão decisivas no processo de desconfinamento

O secretário-geral do PS advertiu que o futuro em termos de desconfinamento depende da forma como os cidadãos gerirem as próximas semanas e que esta não á altura para "facilitismos" em relação à covid-19.

Este aviso foi transmitido por António Costa logo na abertura do seu discurso de cerca de 20 minutos proferido no início da reunião da Comissão Nacional do PS, que decorre em Lisboa.

O líder socialista e primeiro-ministro começou por sustentar que, "felizmente, o país vive um momento de maior tranquilidade" em matéria de incidência da covid-19, "depois de um período difícil e dramático com a terceira onda da pandemia".

Mas é fundamental termos todos a consciência que esta pandemia não acabou e não acabará enquanto não houver uma vacinação total, ou a descoberta de um medicamento eficaz para a eliminação da covid-19. Embora hoje se possa encarar com confiança o futuro, temos de perceber que esse futuro depende muito da forma como gerirmos nas próximas semanas todo este processo de desconfinamento", declarou.

Neste ponto da sua intervenção, António Costa reforçou a sua mensagem de alerta, dizendo que esta "não é altura de baixar a guarda".

Não é altura de facilitismos ou de andar a dizer que o sol está maravilhoso e vamos todos aproveitá-lo, porque o vírus continua a andar por aí", avisou, antes de fazer uma alusão à situação epidemiológica de vários países europeus.

"Basta ver o que infelizmente está a acontecer em muitos dos outros países nossos parceiros da União Europeia. Julgavam já ter ultrapassado a fase mais difícil, mas estão agora numa situação de regressão", acrescentou.

/ HCL