O líder do PSD, Rui Rio, considerou, esta segunda-feira, em entrevista com Miguel Sousa Tavres, que o pior que poderia acontecer ao país era “uma crise política”, afastando a hipótese de pedir a demissão do Governo.

Rui Rio considera que agora é o momento de fazer oposição “com sentido crítico”, porque agora “todos temos conhecimento para isso”, garantindo estar disposto a dar “instrumentos” ao Governo para que possa estar habilitado a fazer o melhor no combate à pandemia.

Sobre o facto de ser alvo de críticas por parte do Partido Socialista, mesmo aprovando os vários diplomas do estado de emergência, Rui Rio acusa o Governo de “ingratidão”.

Acho uma ingratidão e uma táctica política errada. Mas eu não posso ter estados de alma, eu tenho de fazer o que é melhor para o país. Não posso ser vingativo em relação ao PS. Se eu agora me revoltasse contra o PS tínhamos um problema de todo o tamanho no país”, frisou.

Rio lembrou ainda que o Governo “tem muita responsabilidade” na atual situação do país, no entanto, relembra que, enquanto líder do maior partido da oposição também tem muita responsabilidade.

Não devo aproveitar esta onda de indignação para causar uma onda de dificuldades ainda maior”, explicou.

Rui Rio criticou ainda a "falta de planeamento" do Governo no que toca ao combate da pandemia. 

Quando vejo esta bagunça pergunto-me como é possível. Sobram vacinas como? Não compreendo. É uma aselhice de todo o tamanho numa matéria vital", rematou.

Sobre a vacinação dos detentores de cargos políticos, o líder da oposição criticou o critério usado por Eduardo Ferro Rodrigues em relação aos deputados, no entanto, admite uma revisão de critérios para que apenas as pessoas consideradas “vitais” para o funcionamento da Assembleia da República sejam vacinadas.

Rui Rio e a “bazófia” de André Ventura

Miguel Sousa Tavares confrontou ainda Rui Rio com as declarações do candidato presidencial do Chega, André Ventura, que disse que a direita nunca faria Governo ser um acordo com o Chega. Para o social democrata, enquanto André Ventura viver de “clichés” e de “bazófia”, Portugal está bem com a extrema-direita.

O Chega não tem um pensamento estruturado, nem de longe, nem de perto. É uma federação de descontentes. Ninguém consegue ser um partido forte quando é pela negativa. A partir de agora ou se firma como um partido pela positiva, com ideias e recursos humanos, ou vai esvaziar”, afirmou.

Rio quer que Marcelo seja mais exigente com o Governo

O presidente do PSD, Rui Rio, defendeu que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deve ser mais exigente com o Governo no seu segundo mandato, mas afastou um cenário de crise política.

De forma crítica, é certo, mas não criar boicotes. Não está na hora de eu tentar por cascas de banana ao Governo a ver se a coisa corre mal para eu ganhar votos com isso, não é para isso que eu estou aqui", acrescentou, advogando que "uma coisa é o Presidente da República ser mais exigente com o Governo, outra é o Presidente da República provocar uma crise e atirar com o Governo abaixo".