O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, pediu esta quarta-feira ao primeiro-ministro para que «deixe de fazer mal aos portugueses» e perceba, de uma vez por todas, que «persistir neste caminho, é ir na direção do precipício».

Instando a comentar a agenda política do primeiro-ministro, que mais uma vez quis estar longe da confusão da greve geral, Arménio Carlos disse, em tom de ataque: «O senhor primeiro-ministro entendeu que devia ir inaugurar as instalações de uma empresa reconstruida, a Sicasal [no dia da greve geral]. É uma pessoa que já percebeu não tem o apoio dos portugueses. Tem medo dos portugueses, mas eles não lhe fazem mal», atirou.

«Deixe de fazer mal aos portugueses», apelou o líder da central sindical, antes de acrescentar que «só lhe basta [a Passos] fazer uma coisa: reconhecer publicamente que prometeu coisas que não cumpriu. Logo, se tiver um pouco de dignidade deve pedir desculpa, abandonar o cargo e, assim, dar lugar a outros».

O líder da central sindical prosseguiu, depois, com os recados ao Governo e também a Cavaco. «Esta greve geral foi um alerta vermelho para que o Presidente da República e o Governo percebam que persistir neste caminho, é persistir na direção do precipício. Quem quiser lançar-se para o precipício está no seu direito, mas não tem direito de arrastar consigo 10 milhões de portugueses», desabafou.

«Arriscamos ter uma recessão de 2,5%»

Mais: de com uma base de estudos da central sindical - utilizada pelo FMI - no próximo ano arriscamos ter uma recessão (não de 1,6%, como diz o Banco de Portugal) mas de 2,5%. «Se esta situação se continuar a verificar, no próximo ano podemos uma ter recessão de 2,5%. E ainda falta saber as consequências das políticas recessivas que, neste momento, estão a afetar outros países, como Espanha, Itália, e Alemanha, que já está estagnada», sublinhou.

Respondendo depois diretamente a Cavaco - que hoje disse que foi trabalhar em nome do país - Arménio Carlos garantiu: «E nós hoje estivemos a lutar pelo crescimento económico, contra a austeridade.

Aliás, essa foi uma entre outras das reivindicações que a própria confederação europeia dos sindicatos defendeu. Quem está a lutar pelo crescimento não subscreve Orçamentos de Estado que subscrevam recessão, desemprego, pobreza, exclusão social e fome das crianças», frisou, antes de fazer o apelo: «Quem quer lutar pelo crescimento económico, junte-se a nós!. Nós estamos aqui».

CGTP vai promover manifesto para toda a sociedade

O responsável anunciou ainda que a central sindical vai promover - no âmbito daquilo que é a defesa das funções do Estado - «um manifesto que vai distribuir a toda a sociedade», para justificar o principio da necessidade de se defender as funções sociais, sendo certo que vai apresentar «ao senhor Presidente da Republica um documento, versando um conjunto de inconstitucionalidades que põem em causa o OE2013», que o Governo apresentou recentemente na Assembleia da República.

«No próximo dia 27 de novembro está prevista a votação final do Orçamento do Estado na AR e a CGTP decidiu convocar uma concertação com hora e contornos a definir», avançou.

Arménio Carlos teve ainda tempo para lamentar «profundamente» os confrontos «que se estão a passar na Assembleia da República» e explicar que o conselho nacional da CGTP vai reunir-se no dia 22 de novembro para aprofundar o balanço daquilo que foi a greve geral, bem como discutir «a perspetiva das medidas a adotar face aos desenvolvimentos políticos, económicos e sociais que entretanto se vierem a verificar».

Ainda assim, recordou que a central sindical «realizou uma das maiores greves gerais de sempre em Portugal». Uma greve que não acabou da melhor forma, mas que foi «complementada com manifestações que envolveram dezenas de milhares de pessoas em todo o país».
Carla Pinto Silva