Sem explicação oficial ao fim de dez meses, a Amnistia Internacional deciciu apelar, esta segunda-feira, às autoridades do Rio de Janeiro para assumirem o compromisso de esclarecer os contornos do homicídio da vereadora e ativista dos direitos humanos Marielle Franco.

A AI pediu ao novo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, e ao chefe da polícia estadual para investigar adequadamente o homicídio de Marielle Franco e do motorista do veículo em que viajava, Anderson Gomes.

O ano de 2018 terminou sem que o estado do Rio de Janeiro, sob intervenção federal na área de segurança pública, tenha conseguido resolver o caso. A nova gestão do governo do estado tem o dever de assumir essa responsabilidade e não deixar o caso sem solução", disse Jurema Werneck, diretora executiva da AI num comunicado.

Aquela organização não-governamental também criticou fortemente o "episódio de violência" cometido há alguns por dois membros do Partido Social Liberal (PSL), sigla liderada pelo Presidente brasileiro Jair Bolsonaro, contra a memória de Marielle Franco.

Durante a campanha eleitoral, Daniel Silveira e Rodrigo Amorim, dois parlamentarem que ainda eram candidatos a ocupar um cargo na câmara estadual do Rio de Janeiro, partiram, publicamente, uma placa em memória de Marielle Franco, que havia sido colocada em frente à Câmara Municipal.

O ato aconteceu na presença do então candidato ao governo do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que, segundo a AI, aparece "sorrindo em apoio aos outros dois candidatos presentes".

A Amnistia defende que o episódio não foi apenas um ataque contra Marielle Franco, mas a todas as instituições democráticas do país, e levanta preocupação com o bom andamento das investigações que estão agora sob a responsabilidade de Witzel.

É sério que as pessoas eleitas para cargos no executivo e legislativo regional atacaram com grande virulência a memória de uma parlamentar. Eles devem se comprometer a trabalhar para a boa liquidação do caso e não repetir atitudes ofensivas como essa", afirmou Jurema Werneck.

Marielle Franco, vereadora e defensora dos direitos humanos, foi assassinada na noite de 14 de março de 2018, quando viajava de carro pelo centro do Rio de Janeiro, depois de participar num ato político com mulheres negras.

As autoridades brasileiras suspeitam do envolvimento de milícias, mas ainda não conseguiu descobrir quem ordenou o assassinato nem quem executou a ativista.