A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, disse hoje que a descida do desemprego em Portugal é "um bom sinal" e um "efeito" da reforma laboral feita pelo anterior Governo de maioria PSD/CDS-PP de que fez parte.

"É um bom sinal certamente. Tudo o que seja reduzir o desemprego e criar emprego é um bom sinal para o nosso país e para a nossa economia", disse Assunção Cristas aos jornalistas, em Beja, durante uma visita à feira de agropecuária Ovibeja.

Segundo a líder dos centristas, "também é verdade" que a área do emprego foi "curiosamente" aquela em que o atual Governo PS "não mexeu", nomeadamente "nas políticas e na reforma laboral" aprovadas pelo anterior executivo PSD/CDS-PP.

"Espero que não mexa nessa área, porque, de facto, se hoje podemos sentir os efeitos dessas políticas então é sinal de que elas foram aprovadas no bom sentido e se devem manter", afirmou.

Assunção Cristas insistiu que o Governo PS "ainda não mexeu" nas políticas laborais aprovadas pelo anterior executivo, "apesar de ter alguma pressão do PCP e do Bloco de Esquerda".

"Espero que mantenha a sua posição de não mexer no que foi bem feito e está a dar efeito positivo na criação de emprego no nosso país".

Na sexta-feira, o Instituto Nacional de Estatística reviu em baixa de 0,1 pontos percentuais a taxa de desemprego de fevereiro para 9,9%, o valor mais baixo desde fevereiro de 2009, estimando para março uma nova descida para 9,8%.

“Montanha” do relatório de PS e BE sobre dívida “pariu um rato” 

A presidente do CDS-PP disse hoje que a "montanha" do relatório de PS e BE sobre a dívida portuguesa "pariu um rato", porque " aquilo que é bom no relatório já foi feito” e "a parte inovadora é má e preocupante".

"Estamos numa feira popular, apetece-me usar a expressão do povo de que a montanha pariu um rato", disse Assunção Cristas.

Segundo a líder dos centristas, "aquilo que é bom no relatório já foi feito, nomeadamente quando se aumentaram as maturidades, pagando mais extensamente e quando se diminuíram os juros, e quando se fez um pagamento antecipado ao Fundo Monetário Internacional (FMI) no tempo do anterior Governo e que este Governo, aliás, veio limitar".

"Em relação à parte positiva do relatório, pois muito bem, é o reconhecimento de que o trabalho que foi feito anteriormente [pelo Governo PSD/CDS-PP] afinal estava no bom caminho", afirmou.

Agora, prosseguiu, o relatório sugere pagar antecipadamente ao FMI: "Achamos muito bem, é um dinheiro caro, vale a pena pagar antecipadamente e renovar por uma dívida mais barata", defendeu.

Já "a parte inovadora" do relatório, "infelizmente é má e preocupante", disse, referindo que "pensar em começar a substituir dívida de médio e longo prazo por dívida de curto e curtíssimo prazo não é o mais prudente para um país que tem 130% de dívida e que precisa de ir com regularidade aos mercados".

Assunção Cristas referiu que está a ver “o PCP e o BE, certamente, a ficarem sem discurso, porque a famosa renegociação da dívida que pediam, afinal, resulta em nada"

O relatório do grupo de trabalho, apresentado na sexta-feira, propõe a reestruturação da dívida portuguesa em 31%, para 91,7% do Produto Interno Bruto (PIB), e pede ao Governo "cenários concretos" de reestruturação para serem utilizados em discussões europeias.

/ PP