O presidente do Millennium bcp considera que «não existe uma grande investida da banca portuguesa para Angola», até porque todos os bancos já detinham operações naquele mercado há alguns anos.

Carlos Santos Ferreira discorda da ideia de que, dentro de algum tempo, possa haver uma selecção natural entre os vários bancos portugueses que se instalaram no mercado angolano.

«Há espaço para toda a gente», disse o presidente do Millenium bcp em entrevista à agência Lusa, acautelando, contudo que, «cada vez é mais difícil fazer previsões a longo prazo», referindo-se à crise financeira e económica internacional.

«Estamos a falar de quatro bancos portugueses», com quotas que no conjunto são muito inferiores às dos bancos angolanos. «Visto friamente, não há essa grande investida de que se fala» até porque esses bancos já estavam em Angola, sustentou.

O Totta, agora vendido em parte à Caixa Geral de Depósitos e a investidores angolanos, já estava naquele território, o BPI tem o banco líder do mercado - o Banco de Fomento Angola - tendo agora cedido 49,9 por cento a angolanos, o BES há muito que está em Angola. Manter o Millennium Angola era uma operação que também já existia, sendo agora impulsionada com a entrada de capitais locais.

«Não vejo razão para que nenhuma operação não tenha sucesso», mas «antes do retorno vai ser necessário fazer grandes investimentos, em infra-estruturas, pessoas e redes», salientou Santos Ferreira.

Ainda sobre as operações internacionais do banco, o presidente do Millennium bcp garante que «há rigorosa coincidência de pontos de vista» entre a administração e os accionistas.

Esta é uma matéria que o Conselho de Administração Executivo partilha com o Conselho Geral e de Supervisão de forma regular e «não uma vez só, porque é um aspecto importante da actividade».

Em relação à Polónia, Santos Ferreira diz que o Millennium bank, onde o banco português detém cerca de dois terços do capital, é estratégico e que não há intenção de «participar em nenhum movimento de fusões ou aquisições» naquele mercado.
Redação / CPS