Se há alguma brecha de luz naquela escuridão plúmbea que é o trumpismo, ou seja, “uma direita radical resultante de autoritarismo, nativismo e populismo” (Cas Mudde, ‘Don't be fooled. The midterms were not a bad night for Trump’, The Guardian, 7 de Novembro 2018), ela só agora se manifestou, com as eleições intercalares nos Estados Unidos. Não deve ser procurada nos números, o êxito do Partido Democrata foi afinal limitado; nem na derrota do Presidente e dos seus homens, que afinal aguentaram.

Deve é ser reconhecida nas nuances de um partido, o Democrata, que apareceu completamente transformado em termos de género, etnia e religião, com a eleição de um número recorde de mulheres, assim como das primeiras mulheres muçulmanas e nativas-americanas, enquanto em Colorado foi eleito o primeiro governador abertamente gay (lembramos que nunca houve uma governadora).

Aquelas mesmas identidades que mais estiveram sob ataque nestes anos ganham agora uma representação sem igual na história dos EUA e isso foi também o resultado de uma onda de resistência que, a começar pela marcha das mulheres, reuniu o melhor da tradição do ativismo americano. Não podemos, entretanto, esquecer que a nuvem fica e, nalguns aspetos, intensifica-se com a reeleição, do lado dos Republicanos, de muitos exponentes da ala de extrema-direita e a substituição de muitos da velha escola com fidelíssimos de Trump, com um partido a se tornar, cada vez mais, o partido do Presidente e uma polarização política e social sem precedentes.

Esta segunda notícia da semana mereceu primeiro destaque no barómetro, sem, entretanto, se considerar secundário o assunto que mais animou a informação em volta do futebol, ou seja o despedimento do treinador do Sporting, José Peseiro, substituído por Marcel Keizer. Enquanto isso, a Web Summit, como já em 2016 e 2017, voltou a encher os hotéis de Lisboa pela terceira vez depois da parceira estabelecida em outubro com que se decidiu manter o evento na cidade até 2028.

 

 

Ficha técnica:

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho e a codificação das notícias é realizada por Carla Mendonça com o apoio de Leonor Cardoso. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de aproximadamente 413 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Atualmente fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.