A principal alternativa ao futebol esta semana foi a finança. É o futebol a funcionar, essa indústria de distração de massas. Mas é compreensível. O entretenimento produzido pelos outros temas é muito deprimente.

A finança obteve nada menos que 5 lugares no top 10. Percebeu-se que o anterior Governo contou muito mal a história da sua conduta nesta matéria. Não teve uma política tão decidida para com os offshores como teve para com os contribuintes, os trabalhadores, os utentes do Serviço Nacional de Saúde, os jovens desempregados, etc., etc. Esse Governo PSD-CDS fez das suas até ao fim: o BES, o Banif, a recondução de Carlos Costa como Governador da Torre de Marfim, perdão, do Banco de Portugal, por exemplo. E mesmo depois das eleições até nos brindou a todos com a transferência da época 2015-2016, a talentosa Maria Luís Albuquerque e a sua contratação pela Arrow Global.

O setor financeiro português andou anos e anos movido a esteroides. Os “ingénuos” Carlos Costas e Núncios nunca suspeitaram de nada. Era tudo fair play. Gente séria não andava metida no dopping. Para esses supostos (des)reguladores e (des)governantes, só o Estado e o povinho é que andavam nessa droga dos temas modernos, ou seja, na dívida. E entretanto as Teodoras Cardosos e os Catrogas batiam palmas envergando os seus cachecóis pró-austeridade. 

Note-se que a “conselheira” Teodora Cardoso errou várias vezes na apreciação da economia: não é “independente”, é uma caixa-de-ressonância dos modelos ideologicamente conservadores e analiticamente datados que andam pelo Banco de Portugal. Note-se que Eduardo Catroga é um beneficiário das negociatas das privatizações do anterior Governo e alguém que apadrinhou um acordo com a Troika que se revelou mais endividador do país do que os próprios anunciaram.

Estranho mercado este o desta droga financeira, no qual só há viciados do lado da procura… Os passadores, os pushers, os dealers que lucram massivamente nunca vão para a cadeia.

Afinal tanta Troika para quê? Só haverá pós-Troika quando se aparar este relvado cheio de ervas daninhas. Esse “haircut” terá de ser feito. Custe o que custar. Pois é mais caro não o fazer. Como se vê.

 

 

Ficha técnica:

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho. A codificação das notícias é realizada por Rute Oliveira, João Lotra e Sofia Barrocas. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de aproximadamente 411 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Em 2016 fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.