O país político e mediático está em modo campanha eleitoral para as eleições Europeias e em modo pré-campanha para as eleições legislativas e todos os atores procuram demarcar-se dos oponentes, cavalgando a espuma dos dias e as trivialidades mesmo quando não parece haver grandes diferenças programáticas ou ideológicas. Esse é o tema mais importante da semana para os media nacionais. Ainda assim, a generalidade das pessoas talvez não tenha retido uma ideia das candidaturas sobre a Europa. O que fazer quanto aos populismos ou nacionalismos? O que fazer quanto aos migrantes? O que fazer quanto ao “Brexit”? O que fazer quanto à ameaça climática? O que fazer quanto às ameaças nucleares? O que fazer aos Estados Unidos, à Rússia e à China? O que fazer quanto à ameaça tecnológica?....

Ia a pré-campanha Europeia morna e desinteressante quando o parlamento deu ao Primeiro-Ministro e ao governo a oportunidade de mudar o foco da atenção, ao constituir uma coligação negativa entre partidos à esquerda e à direita do PS para alterarem a lei da contagem do tempo de serviço dos professores. Esse foi, ainda, o 5.º tema da semana. O Primeiro-Ministro, com a mestria e sentido de oportunidade política que lhe é reconhecida, dramatizou a ocasião e não apenas entalou toda a oposição, como conseguiu ainda libertar o cabeça de lista do PS, Pedro Marques, da atenção dos media e dos comentários de “poucachinho” que dominavam a campanha. Este comportamento de Antonio Costa só compara com José Mourinho que, antes das finais importantes, arranja um qualquer conflito lateral com os jornalista ou com qualquer outro agente desportivo, para que os media se entretenham por uns dias a falar dele, libertando assim da pressão os seus jogadores.

Não fora isto suficiente e eis que Berardo vai ao Parlamento dizer o que é óbvio. Que somos uma cambada de bestas e que ele e a elite da finança portuguesa se limitaram a tirar partido disso e, em consequência, a viver à grande, às nossas custas. Eles contraíram empréstimos especulativos, sem qualquer aval pessoal. Se a coisa corresse bem as mais valias seriam para eles. Como correu mal os prejuízos são nossos. O que é que lhe toca a ele? Rir-se de nós, o que aliás fez com olímpico talento. O pais político e mediático reagiu escandalizado, como se isso já não fosse óbvio há muito tempo. Este foi o 3.º tema da semana.

A acabar a semana o país ficou a saber que, por atrasos administrativos, o número de meios aéreos que estão operacionais para combaterem os fogos florestais é bastante inferior ao que estava previsto. A Administração Interna diz que o problema é com a Defesa, esta diz que é com o Tribunal de Contas, este diz que os processos só lhes chegaram para visto no dia em que os meios deviam entrar em operação. Há dois anos o país perdoou ao governo e ao Primeiro-Ministro a tragédia e as fatalidades dos incêndios porque admitiu a sua imprevisibilidade. Agora já ninguém pode alegar que não se estava à espera. Se a coisa correr mal, os eleitores responsabilizarão o governo e o PS. Este é, aliás, o único tema que pode retirar a vitória nas legislativas ao PS. Este foi o 4.º e o 8.º tema da semana.

O 2.º tema da semana foi o futebol. O campeonato e a Taça de Portugal estão também a acabar havendo ainda duas finais por disputar no momento em que este barómetro foi produzido. Tudo pode acontecer. Na bola como na política, nesta fase não há margem para erros. Quem errar foi!

O 6.º tema da semana foi o acidente de Pedro Santana Lopes. O homem que mais afirma encarnar a herança política e o carisma de Francisco Sá Carneiro, escapou, desta vez, por ironia, a um fim trágico por acidente, durante uma campanha eleitoral. Sá Carneiro não teve a mesma sorte.

 

 

 

Ficha técnica:

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho e a codificação das notícias é realizada por Carla Mendonça com o apoio de Leonor Cardoso. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de aproximadamente 413 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Atualmente fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.