A geografia das tempestades e furacões que assolaram a região leste dos Estados Unidos da América (furacão Florence), tempestade Helene nos Açores e Tufão Mangkhut na Ásia suscita-me duas notas. A primeira diz respeito ao tempo de cobertura noticiosa concedido a cada um deles; sem surpresa, e apesar de ter sido mais fraca do que o previsto, a tempestade Helene obteve mais destaques (6,1%) do que os outros dois fenómenos meteorológicos (5,6% para o furação Florence e 4,1% para o Tufão Mangkhut). Digo sem surpresa na medida em que se trata de território nacional e já nos habituámos a ver a mesma reportagem em que os nossos compatriotas açorianos nos descansam com palavras de tranquilidade: sim, vem lá uma tempestade mas lidamos com isto desde sempre, estamos habituados, tomamos precauções. Apesar de em Macau viverem muitos portugueses o Florence nos Estados Unidos foi mais destacado. A segunda nota tem que ver com o número de vítimas que parece crescer, não tanto em função da violência das condições climatéricas, mas das condições económicas e infraestruturais das regiões e países afetados: o Mangkhut, que terá feito 18 feridos em Macau (apesar das imagens terríveis e do inédito fecho dos casinos) deixou um rasto de destruição e morte nas Filipinas: 81 mortos e dezenas de desaparecidos. 

Ventos fortes agitaram o sector das empresas de táxi que promoveram greves e concentrações nas maiores cidades do país. A promulgação da lei que regula plataformas de aluguer de automóveis com motorista (como a Uber) foi a causa direta dos protestos. Compreende-se que os taxistas não queiram concorrência desleal ao serviço que prestam (a nova regulamentação, ao que parece, introduz restrições e salvaguarda direitos dos motoristas) mas terão certamente que habituar-se a conviver com outras alternativas de mobilidade urbana.

O Primeiro-Ministro foi a Angola após um longo período de forte turbulência nas relações entre os dois países causada pelo processo judicial que envolve Manuel Vicente. Transitado o processo para a alçada dos tribunais angolanos (por exigência do governo angolano) parece que as coisas acalmaram. Anunciam-se tempos de bonança? Talvez, embora a informalidade da indumentária escolhida por António Costa ao chegar a Angola (calças de ganga, sem gravata) tenha desencadeado uma tempestade num copo de água nas notícias e nas redes sociais. 

 

 

 

 

Ficha técnica:

O Barómetro de Notícias é desenvolvido pelo Laboratório de Ciências de Comunicação do ISCTE-IUL como produto do Projeto Jornalismo e Sociedade e em associação com o Observatório Europeu de Jornalismo. É coordenado por Gustavo Cardoso, Décio Telo, Miguel Crespo e Ana Pinto Martinho e conta com a colaboração de Leonor Cardoso e Carla Mendonça. Apoios: IPPS-IUL, Jornalismo@ISCTE-IUL, e-TELENEWS MediaMonitor / Marktest 2015, fundações Gulbenkian, FLAD e EDP, Mestrado Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação, LUSA e OberCom.

Análise de conteúdo realizada a partir de uma amostra semanal de aproximadamente 413 notícias destacadas diariamente em 17 órgãos de comunicação social generalistas. São analisadas as 4 notícias mais destacadas nas primeiras páginas da Imprensa (CM, PÚBLICO, JN e DN), as 3 primeiras notícias nos noticiários da TSF, RR e Antena 1 das 8 horas, as 4 primeiras notícias nos jornais das 20 horas nas estações de TV generalistas (RTP1, SIC, TVI e CMTV) e as 3 notícias mais destacadas nas páginas online de 6 órgãos de comunicação social generalistas selecionados com base nas audiências de Internet e diversidade editorial (amostra revista anualmente). Atualmente fazem parte da amostra as páginas de Internet do PÚBLICO, Expresso, Observador, TVI24, SIC Notícias e JN.