O Bloco de Esquerda (BE) transmitiu esta terça-feira "as mais sentidas condolências" pela morte do seu antigo coordenador João Semedo, considerando que a perda "é de todos os que partilharam o seu ímpar e diversificado percurso, que com ele lutaram, aprenderam e conviveram".

O Bloco de Esquerda informa que morreu esta manhã João Semedo, com 67 anos, médico e militante político, e transmite à sua mulher, ao seu filho e a toda a família as mais sentidas condolências", lê-se numa nota enviada à agência Lusa.

O partido considera que "a perda de João Semedo é de todos os que partilharam o seu ímpar e diversificado percurso, que com ele lutaram, aprenderam e conviveram, na política e na vida".

Como é de todos o orgulho e a alegria de o terem tido a seu lado", enaltece.

O BE sublinha ainda que "a doença prolongada e as crescentes limitações da voz não impediram" João Semedo de "manter a atividade política".

Nos últimos meses da sua vida, João Semedo publicou um livro com António Arnaut para uma nova Lei de Bases da Saúde e deu força e conteúdo ao Movimento ‘Direito a morrer com dignidade'", recordam.

Em declarações no Diário da Manhã, da TVI, a eurodeputada do BE Marisa Matias disse que João Semedo "fazia política com o coração" e empenhou-se com para que "toda a gente pudesse ter uma vida mais digna e melhor".

O João foi claramente uma das pessoas que lutou toda a vida para fazer deste país um país decente e empenhou-se com alma e coração para que assim fosse, para que toda a gente pudesse ter uma vida mais digna e melhor”, vincou Marisa Matias

Também o historiador e fundador do BE Fernando Rosas salientou, em declarações à TVI, que João Semedo era um "homem bom" e "com uma serena determinação"

Era um homem com uma serena determinação a tudo o que se entregava, foi um militante do PCP desde antes do 25 de Abril, depois foi militante e dirigente do BE, uma causa que ele abraçou sempre com aquela serena determinação de um homem inteligente."

Era "um homem bom de uma grande abertura de espírito, de grande tolerância e de grande respeito pelos outros", acrescentou Fernando Rosas. 

Nas redes sociais, multiplicam-se as reações e homenagens. A coordenadora do BE, Catarina Martins, partilhou uma imagem em que surge ao lado de João Semedo com a legenda "Obrigada, João".

 

 

 

Presidente e partidos reagem à morte de João Semedo

Mas as reações à morte de João Semedo não se restringem ao BE, surgindo dos vários quadrantes da vida política portuguesa. 

O Presidente da República lamentou a morte do ex-coordenador bloquista, recordando-o como um "homem de causas", defensor do Serviço Nacional de Saúde, e afirmando que o país sentirá a sua falta, numa nota divulgada no portal da Presidência da República.

O chefe de Estado - que se encontra em Cabo Verde, na ilha do Sal, para participar na XII Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) - já ligou à coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, a dar as condolências.

Marcelo Rebelo de Sousa considera que "foi pelas escolhas que fez" que João Semedo "se destacou, sempre com uma afabilidade acentuada, convencendo pelo exemplo, afirmando-se pela força do seu pensamento lúcido e clarividente".

Até a morte encarou com a firmeza e a bondade que o caracterizava, tendo afirmado numa das suas últimas entrevistas que viveu como quis e que de nada do que é importante se arrependeu. O país sentirá a sua falta, o Presidente da República honra a sua memória", acrescenta.

O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, já reagiu à notícia, recordando João Semedo como um “homem de diálogo e de convicções”, que deixa uma “imensa saudade”.

Numa mensagem colocada no website do Parlamento, Ferro Rodrigues sublinha que Semedo "contribuiu decisivamente para a consolidação do BE e para a atual solução de governo” com o executivo minoritário do PS e com o apoio parlamentar dos partidos à esquerda.

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, também já reagiu, sublinhando o exemplo de vida do ex-coordenador bloquista, que classificou como um homem sério e bom, sempre dedicado à causa pública.

Era a notícia que todos aguardávamos, mas que ninguém queria receber. Infelizmente, apesar do João dizer que a morte o apanharia feliz, a nós deixa-nos tristes”, disse o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes.

O PS considerou que João Semedo foi um combatente pela liberdade e um humanista ao serviço da medicina que "tocou no coração" de pessoas de todo o espetro político.

Esta posição foi transmitida à agência Lusa pela porta-voz dos socialistas, Maria Antónia Almeida Santos.

"O PS e os socialistas receberam com profunda tristeza esta notícia. João Semedo foi um combatente pela liberdade, um democrata e um resistente até ao fim por várias causas. O PS envia as mais sentidas condolências à sua família e ao Bloco de Esquerda."

Também a  deputada e dirigente do CDS-PP Isabel Galriça Neto lamentou a morte bloquista, lembrando, apesar das divergências, o "bom amigo", com uma vida de "amor à liberdade, respeito, convicções e coragem".

No dia da sua morte, e celebrando a sua vida, quero falar daquilo que está para além das divergências na política, que é o amor à liberdade, o respeito, as convicções, a coragem, e esses são valores que eu reconheço na vida do João Semedo, permanecem na minha memória, e hoje curvo-me perante essa memória", disse à Lusa Isabel Galriça Neto.

O presidente do PSD, Rui Rio, recordou João Semedo como alguém que estava na vida pública “por convicções e não por qualquer interesse pessoal”, considerando que o antigo coordenador do BE fará “falta à política portuguesa”.

O dr. João Semedo era alguém que vou guardar na minha memória como uma pessoa que estava na vida pública por causas e convicções e em circunstância alguma por qualquer interesse pessoal. Isso hoje vai escasseando cada vez mais e, portanto, tenho um grande respeito por toda a gente que está assim na vida pública”, destacou Rui Rio.

“Pese embora as grandes diferenças ideológicas que tínhamos, eu acho que o dr. João Semedo faz realmente falta à política portuguesa”, acrescentou Rio.

Também o bastonário da Ordem dos Médicos lamentou a morte de João Semedo, que considerou um lutador que sempre defendeu o Serviço Nacional de Saúde e os direitos das pessoas com coragem e coração.

Miguel Guimarães frisou que João Semedo teve importância em várias áreas que marcaram o caminho da saúde em Portugal nos últimos anos, destacando o testamento vital, o estatuto dos dados de sangue, a prescrição por denominação comum internacional e os direitos dos doentes.

Teve intervenção em várias áreas, seja com projetos de decreto-lei ou colaborando nas leis que foram feitas e que marcam o caminho do que e saúde em Portugal nos últimos anos”, afirmou.

O ex-coodenador do Bloco de Esquerda João Semedo morreu esta terça-feira, aos 67 anos, depois de anos de uma batalha contra o cancro.

Fonte do BE adiantou à agência Lusa que o partido decidiu cancelar a agenda para hoje.