Rui Pedro Soares confirmou esta quarta-feira a existência de negociações com a Câmara Municipal de Grândola para a mudança da SAD do Belenenses para este concelho do Alentejo litoral e explicou por que razões a equipa da Liga vai afastar-se mais de 100 quilómetros das raízes históricas, depois de nas últimas duas épocas ter jogado fora no Estádio do Restelo devido ao deteriorar das relações com a direção do clube.

«De há uns meses a esta parte iniciámos um processo com um consultor no sentido de identificarmos em Portugal uma zona que possa ter um centro de estágio de excelência. Somos uma equipa que aposta muito na formação e precisamos de uma infraestrutura que nos permita formar jogadores cada vez melhores e que estejam à altura de ganhar às melhores equipas de Portugal», afirmou o dirigente em declarações aos jornalistas, lembrando que as equipas ligadas à SAD e, nomeadamente a principal, treinam diariamente em relvados que não têm utilização exclusiva e que estão longe das melhores condições.

É público que a SAD do Belenenses tinha a intenção de se mudar para o concelho de Oeiras, mas o processo nunca chegou a avançar, ao contrário do que está a suceder com a autarquia de Grândola, mas que, vincou Rui Pedro Soares, ainda não está concluído.

«Esse consultor estratégico identificou no município de Grândola, nomeadamente na zona de Comporta, Carvalhal e Melides, condições para podermos ter esse centro de estágio Abordámos a Câmara Municipal de Grândola, apresentámos a nossa ideia e temos vindo a trabalhar com o município no sentido de saber se o nosso desejo se desejo se pode concretizar. Desejo que se concretize, por isso acredito que se possa concretizar. Sentimos que é uma ideia que agrada, mas ainda não é uma certeza», acrescentou.

O presidente da SAD dos azuis disse ter havido um bom acolhimento da ideia por parte de António Figueira Mendes, presidente da autarquia grandolense, e considerou que fixar um clube da Liga neste concelho é um win-win: bom para a SAD do Belenenses e também para a região.

Rui Pedro Soares recusou avançar com uma data prevista para a mudança de casa do clube, mas insistiu que esta é uma necessidade imperativa para aumentar os níveis competitivos, e fez votos para que a mesma aconteça o «mais rapidamente possível». Nesta altura há ainda pontas soltas por juntar: a celebração de acordos com a autarquia, que deverá ceder o estádio municipal, a entrada em cena de investidores e a identificação do local exato para o centro de treinos. «Há situações que parecem detalhes, mas que são cruciais, como a questão da água, que é fundamental para se identificar a localização de um local para o centro de treinos. É nosso interesse que [a negociação] tenha uma conclusão feliz e rápida», reiterou.

Para já, garantiu o dirigente, o plano A passa por iniciar a época no Estádio no Jamor, o recinto que foi indicado à Liga para a realização dos jogos em 2020/21. «Não nos podemos adiantar ao que ainda não aconteceu.»

Rui Pedro Soares foi ainda questionado a respeito de uma possível mudança do nome da equipa. «Não está nada previsto», limitou-se a dizer.

David Marques