Fábio Coentrão

Não estava previsto figurar no «elenco» inicial, mas foi chamado, à última da hora, para render César Peixoto que se lesionou no aquecimento. Os olhares concentraram-se na cabeleira loira do jovem extremo que ia jogar, pela primeira vez, a lateral, nas costas de Di Maria. Fez todo o corredor, num entendimento táctico quase perfeito com David Luiz e Di Maria, tornando o flanco mais activo do ataque dos encarnados. Logo nos primeiros minutos percebeu-se que ia ser uma das figuras do jogo, aproveitando muito bem o espaço vazio à sua frente, uma vez que Patacas só tinha olhos para Di Maria. Recorrendo à sua velocidade, surpreendeu a defesa madeirense com um sprint a puxar pela assistência perfeita de Aimar para depois, com espaço, colocar a bola na bota fulminante de Cardozo para o primeiro golo. No meio de muita luta com Edgar Costa, voltou a aparecer num canto curto para cruzar com precisão para o segundo poste, para Saviola fazer o segundo. A noite estava ganha. Mas ainda havia mais. Novo sprint e nova assistência para o quarto golo da noite.

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Di Maria

O espaço que Fábio Coentrão teve para brilhar esta noite deve-o, em grande parte, aos movimentos deste argentino que não sabe estar quieto. Esta noite não marcou, embora tenha tido uma oportunidade soberana para isso, nem fez assistências, mas, quem viu o jogo, tinha a certeza que iria figurar nesta lista de destaques. É ao acelerador desta equipa. Quando carrega no pedal, arrasta toda a equipa atrás dele.

Saviola

Outro jogador que esteve em plano de destaque, sempre em jogo (com excepção no golo anulado), em constantes movimentações, a abrir espaços, a jogar e a fazer jogar. Apresentou o seu cartão de visita com uma excelente abertura para Di Maria que só não resultou no segundo golo porque Bracalli não deixou. Na área, deixa-se marcar para no último instante, num curto espaço de terreno, fugir à sua «sombra» e tentar a sua sorte. Fez um primeiro ensaio com a cabeça a uma recarga a um primeiro remate de Luisão, mas foi rápido demais. À segunda tentativa, não falhou. Num cruzamento largo de Coentrão, surgiu do nada para encostar de cabeça para o segundo do Benfica. Voltou a marcar na segunda parte, ao tornar simples o que Cardozo estava a complicar.

Pablo Aimar

Uma exibição «matreira», não só pelo penalty que «cavou», mas pela forma aparentemente «discreta» que esteve em campo. Não se deu muito por ele, não esteve directamente nos lances dos golos, mas estava sempre presente, lá atrás, a arquitectar a estratégia encarnada. Muitos dos lances de perigo nasceram de um passe do argentino que abria corredores para os «velocistas», como Coentrão, Saviola e Di Maria, explorarem. Quando não havia espaços, lá ia ele, com o drible curto a improvisar uma abertura. Numa dessas insistências, arrancou a grande penalidade que matou definitivamente o jogo. Saiu ao som de intensos aplausos.

Ruben Micael

Não marcou o golo que tinha anunciado para a Luz, mas deu um a marcar no meio de uma exibição razoável. Jogou atrás de Edgar Costa e João Aurélio, no território de Javí Garcia, estabelecendo, a espaços, a ligação com o ataque. Fez a assistência para o golo do empate e foi decisivo na manutenção do equilíbrio de forças na primeira parte. Quando desapareceu do jogo, o Nacional foi definitivamente ao fundo.