Na véspera do encontro com o Tondela, Jorge Jesus comentou o que se passou após o apito final do Moreirense-FC Porto tanto dentro como fora do relvado com a agressão de Pedro Pinho a um jornalista da TVI.

«Não é um caso. São três. Não fica muito bem da minha parte jogar com o Tondela e comentar outras situações que não tem a ver com o jogo. Todos temos de rever os nossos processos, treinadores, árbitros, jogadores, para que o futebol em Portugal, que é representado não só pela seleção mas também por jogadores com muita qualidade. São identificados como de top mundial, ainda ontem vimos a meia-final da Champions que tinha vários portugueses. Temos de olhar para o nosso produto e pensar que o futebol é muito mais importante do que interesses individuais e temos todos de abraçar essa causa. Caso contrário andamos sempre com nestas situações. Gostava de contribuir para que isso não acontecesse», referiu, em conferência de imprensa.

O técnico das águias lembrou que o comportamento dos intervenientes do futebol mudou, sobretudo sem a presença de público, acrescentando que os árbitros têm de ter mais autoridade.

«Sei que em Inglaterra isso acontece. O Carvalhal ofereceu-me uma garrafa de vinho depois do jogo. São culturas diferentes, mas não quer dizer que não possamos acreditar alguns exemplos. Com o passar dos anos, olhamos para o jogo e para as coisas de forma diferente. A minha saída de Portugal fez-me ter outras perspetivas que na altura se calhar não tinha. Todos temos de melhorar. Os árbitros têm de ter mais autoridade no jogo, têm de se assumir. Há uns anos só o treinador podia falar no banco, hoje levantam-se os jogadores todos, o roupeiro, o médico e se estiver o gato, vai o gato. Todos acham que têm opinião e devem intervir. Antes só o capitão se poderia dirigir ao árbitro, hoje todos falam com o árbitro. O árbitro não tem autoridade porque não se assume. Tem de se assumir e tem de se fazer uma reciclagem para se dizer aos árbitros que têm autoridade para impor as regras do jogos. Quem não quiser vai para a rua! Antigamente era assim, por que razão agora não é? Porque não há público. Estes casos geram outras situações. Aqui está uma coisa que é preciso mudar. Todos temos de melhorar o nosso produto. É tão bem jogado, tem jogadores e treinadores dos melhores do Mundo. Estas situações fazem-me lembrar os jogos antigos da América do Sul em que acabavam todos à porrada. Hoje isso já não existe Temos de começar a pensar e a caminhar para defender o futebol. É o que nos alimenta e que faz com que cada um tenha a sua atividade profissional», disse ainda.

O treinador do Benfica colocou um ponto final sobre o assunto após ser questionado sobre a atuação aparentemente tardia de um GNR no caso da agressão ao repórter de imagem da TVI em Moreira de Cónegos e partilhou a visão que tem sobre aquilo que diz ser a perda evidente de poder das autoridades num plano mais global. «Penso que as pessoas que têm de tomar decisões estão a perder autoridade. Hoje, qualquer coisa que acontece, se eu for polícia deixo as coisas acontecerem. 'Para quê? Para ser preso? Eu, polícia, é que tomo a atitude e sou despedido?' Se hoje isto está assim, é deixar andar», concluiu.

(artigo atualizado)

David Marques / Seixal