A propósito de 15.º aniversário do centro de estágios do Benfica, Ferro foi desafiado a nomear um colega da formação que prometeu muito, mas que acabou por não ter sucesso no futebol sénior. O central de 24 anos lançou um nome que, seguramente, muitos já não recordavam.

«Na minha geração, em iniciados, só falavam dele: o Fábio Novo. Fomos campeões nacionais e não havia Rúben Dias, Renato Sanches, Ferro, Diogo Gonçalves. Quer dizer, havia, mas só falavam do Fábio, que ia ser um grande ponta-de-lança. Por uma razão ou por outra, dois anos depois começou a cair. Ainda mantenho contacto com ele e, neste momento, joga na distrital, seguiu outro rumo, porque as coisas não deram certo», afirmou o jogador do Benfica.

O Maisfutebol foi, por isso, à procura de Fábio Novo. O avançado partilhou connosco o que sentiu ao ouvir as palavras do antigo colega na Academia do Seixal.

«Fiquei extremamente contente, muito feliz mesmo. Não sabia da entrevista, mas comecei a receber muitas mensagens, até de antigos colegas e adeptos. Fico-lhe muito agradecido por se ter lembrado de mim», expressou o jogador, atualmente a cumprir a terceira temporada na Ovarense, do Campeonato de Elite da Associação de Futebol de Aveiro.

Apesar de não ter terminado da melhor forma, Fábio Novo guarda excelentes memórias do tempo no centro de estágios dos ‘encarnados’.

«Passei lá sete anos, dos 12 aos 19. Tenho memórias incríveis, fui muito feliz. Joguei com jogadores que agora estão ao mais alto nível [Ferro, Rúben Dias, Diogo Gonçalves]. O meu conselho para os jovens que venham a ter a mesma oportunidade que eu é que a agarrem ao máximo. Às vezes queremos voltar atrás, mas não dá. As instalações são fantásticas, o Benfica dá todas as condições a um atleta», afirmou.

Quando questionado acerca das razões pelas quais não teve o sucesso desejado a nível sénior, o jogador de 24 anos admite que a responsabilidade para o facto recai muito nos seus ombros.

«Não tinha noção ao início, mas, agora, apercebo-me disso. Comecei a jogar com jogadores mais velhos, alguns até já eram pais. O estilo de jogo era mais físico, e a maturidade também era diferente. Não me preparei bem. O ‘extrafutebol’, já naquela altura, era muito importante. Eu pensava que o talento era suficiente para singrar. O culpado sou eu», admitiu a antiga estrela das camadas jovens do Benfica.

Entrevistado pelo Maisfutebol no início de 2018, Fábio Novo referiu que estava a realizar um curso de cabeleireiro, ao mesmo tempo que representava o Estarreja nos distritais. A vida nos salões vai, para já, correndo de feição.

«Já terminei o curso. Tenho um espaço onde corto cabelo, faço-o praticamente todos os dias. Ajuda-me bastante, consigo conciliar esta atividade com o futebol [na Ovarense]. É uma coisa que gosto muito de fazer», confessou.

Fábio Novo, de grande esperança no Benfica a cabeleireiro e avançado da Ovarense. 

Pedro Falardo