Bruno Lage dedicou mais de cinco minutos da conferência de imprensa de antevisão ao jogo com o Sp. Braga a esclarecer o papel de Raúl de Tomás na equipa do Benfica e a mutação das dinâmicas ofensivas da equipa em função dos adversários.

Depois de ser questionado se o facto de o espanhol continuar sem marcar golos poderia dever-se ao facto de jogar como segundo avançado - uma posição à qual estava pouco habituado - o treinador dos encarnados deu uma resposta mais transversal e disse não ver Raúl de Tomás como segundo avançado - pelo menos em todos os jogos - e, enquanto chutava a bola para os jornalistas, aproveitou para esclarecer um mito que diz ter sido criado em torno do sistema de jogo do Benfica

«Vamos por partes. Ficou criada a ideia de que nós jogamos com um segundo avançado e vamos comparando com a época passada. Viam Félix como segundo avançado? Viam? Pronto...», referiu antes de prosseguir com a explicação.

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«Nos não jogamos com um segundo avançado. Jogamos com dois avançados e com a dinâmica dos dois avançados. No ano passado jogou normalmente o João Félix e o Seferovic, mas quando jogou o Jonas e o João, quem era o segundo avançado? Era o João também? Temos é de perceber as dinâmicas que a equipa vai construindo. O Joao tinha um ataque muito forte à profundidade e tinha um jogo muito forte entre linhas. Mas quando a bola ia ao lado esquerdo não vemos o Seferovic a ligar entre linhas e um avançado do lado contrário a procurar a profundidade? Esse é que é o aspeto que temos de referir. A nossa ideia é jogar lado a lado.»

Nesta temporada, Bruno Lage referiu que De Tomás só não jogou lado a lado com Seferovic em dois jogos: com o Sporting e com o Belenenses. E explicou porquê, lembrando os sistemas similares adotados também pelos dois em jogos da época passada. «No ano passado, e vocês recordam-se, jogámos com o Sporting para a Taça de Portugal num jogo em que eles jogaram com cinco defesas. Qual foi o resultado? Perdemos 1-0, golo do Bruno Fernandes. Jogaram com cinco defesas e nós lado a lado. O Belenenses,  no único empate que tivemos, jogou com cinco defesas. Nós jogámos lado a lado. Se vou partir para um jogo em que no ano passado tive dificuldades e eles à partida colocam três centrais, normalmente é para cada um marcar o seu e o homem do meio fica a sobrar em termos teóricos», analisou.

«Nós colocámos um ponta de lança e aí foi o Seferovic como jogador do meio, e aos outros dois não demos marcação. Onde colocámos o outro ponta de lança? Se têm cinco homem a defender e três à frente, têm dois médios. Colocámos o outro ponta de lança atrás dos dois médios para os juntar. E o Pizzi e o Rafa vão ter mais espaço para jogar. Se quiserem ter uma ideia muito clara do que estou a dizer, é olharem para o primeiro golo ao Sporting [na Taça da Liga]: a bola entra no Pizzi sem marcação, o central do meio do Sporting está com o Seferovic e os outros estão alinhados sem ninguém para marcar e o Pizzi faz o passe para o Rafa marcar o golo. Quem tinha de brilhar, quer no jogo com o Sporting quer contra o Belenenses, brilhou: Pizzi e Rafa.»

Após a explicação, Lage voltou a falar especificamente sobre Raúl de Tomás para assumir que ainda está num período de adaptação a um modelo de jogo que lhe era estranho. «Raúl veio substituir um jogador que fez percurso fantástico durante seis meses no ano passado: João Félix. Nunca jogou com dois avançados. É um período de aprendizagem. Tem de se adaptar ao clube, à equipa, as dinâmicas e tem de se adaptar a jogar com dois avançados.»

E completou em jeito de profecia: «Pelo que vou vendo nos treinos e nos jogos, aquilo que tenho verificado é que os golos vão acabar por aparecer.» 

David Marques / Centro de treinos do Benfica, Seixal