1. FC Porto com meio campo a três e muito pressionante

No jogo que finalizou a época, o FC Porto apresentou uma estrutura menos habitual ao longo da época, com um meio campo a três, apenas usada em alguns jogos: Danilo como médio mais recuado, com Uribe e Octávio na sua frente.

O FC Porto entrou muito pressionante, a não deixar o Benfica ter bola e a anular a sua primeira fase de construção, sem que o seu adversário conseguisse encontrar ligações de saída como é frequente acontecer.

Mesmo com esta estrutura, os alas portistas Corona e Luis Diaz apareceram também em zonas interiores. Perante isto o Benfica ajustou a sua forma de pressionar a primeira fase de construção do adversário. Comparativamente com o jogo anterior, contra o Sporting, a equipa encarnada optou por ser menos pressionante neste momento.

Jogando na mesma com as linhas altas, mas com Seferovic e Chiquinho inicialmente mais passivos na zona central, desta vez não pressionando o guarda-redes, tentando evitar a entrada de bola em Danilo e iniciando a pressão apenas quando um central do FC Porto iniciava condução de bola.

Aqui um dos avançados benfiquistas tentava forçar o central do FC Porto a ir para a linha enquanto o outro encostava em Danilo. Neste jogo, os médios do Benfica tiveram de controlar os outros dois médios do FC Porto, não podendo pressionar tão à frente. Com isto, o Benfica tentava impedir todas as ligações curtas do FC Porto e forçar a jogar longo.

2. Carregar no corredor direito

Apesar de alguma capacidade para não deixar o adversário construir de forma curta, o Benfica teve sempre muita dificuldade em controlar o jogo direto do adversário. E mesmo sendo o final do campeonato e muita coisa se ter passado, existiram algumas semelhanças com outros jogos, nomeadamente o Benfica- FC Porto do campeonato.

O FC Porto quando não consegue ligar jogo de forma curta, tem também a capacidade para jogar longo com os seus avançados possantes. E neste jogo, mesmo só jogando com Marega, voltou a criar muitas dificuldades ao Benfica. Tal como anteriormente, houve muita dificuldade dos centrais encarnados para ganhar a primeira bola (recorrendo muitas vezes a faltas).

Depois mais uma vez o FC Porto foi mais forte também na segunda bola, conquistando-a no meio campo ofensivo, empurrando o adversário para trás e conseguido ter mais domínio. A partir daqui exerceu uma maior exploração do corredor direito, tentando criar superioridades numéricas para criação: Otávio caiu muitas vezes nesse corredor para combinar com Corona, com Manafa (com subidas constantes) e ainda com Marega.

3. A força das bolas paradas

Num jogo nem sempre bem jogado, com pouca fluidez com bola por parte das duas equipas, com dificuldades em criarem situações de golo, o jogo acabou por ter muitas quebras e muitas faltas. Naturalmente foi decidido pelas bolas paradas, acabando por refletir  uma das forças da equipa portista ao longo da época e a dificuldade benfiquista nestas situações nos últimos meses (muitos golos sofridos neste tipo de lances).

A primeira parte terminou com o FC Porto a ter que ajustar a sua estrutura para 1-4-4-1,  devido à expulsão de Luis Diaz. Mas ainda antes de se perceber o que seria o jogo, acabou o FC Porto por chega ao primeiro golo no início da segunda parte, num lance de bola parada, repetindo-se a situação poucos minutos depois. Isto quando o Benfica (após ter feito entrar Rafa ao intervalo) se preparava para alterar mais jogadores para se ajustar de novo às circunstancias do jogo. Já no fim, o golo encarnado acabaria por ser de penálti.

4. Linhas baixas para segurar o resultado

Com vantagem no marcador e com menos um jogador, o FC Porto deixou de tentar construir desde trás, procurando quase sempre saídas longas, ao mesmo tempo que deixou de tentar pressionar à frente. Baixou as suas linhas para muito próximo da sua grande área (bloco muito baixo), defendendo com um bloco coeso onde até o avançado (Marega) baixava muito para jogar.

Obviamente ia trocando jogadores para garantir mais consistência defensiva e com o tempo já nem procurou formas de sair para contra-ataque. O Benfica respondeu instalando-se no meio campo, dando uma sensação de domínio, mas com muitas dificuldades para desmontar a estrutura defensiva e criar situações de golo.

A formação encarnada mostrou pouca paciência na circulação e pouca criatividade coletiva. Introduzindo mais avançados para jogarem na área, a forma de tentar marcar ia sendo chegar por fora e cruzar para a área (como aconteceu sem sucesso noutros jogos recentes), mas neste tipo de jogo os centrais do FC Porto costumam sentir-se confortáveis. Mesmo com mais um jogador não houve capacidade para fazer o adversário sair de uma situação de conforto e controlo do jogo.

João Pacheco