O vereador do Bloco de Esquerda na Câmara de Municial de Lisboa, Ricardo Robles, comprou, há quatro anos, um prédio em Alfama por 347 mil euros que hoje vale 5,7 milhões de euros. Robles está a ser criticado nas redes sociais porque o bloquista tem sido um dos maiores críticos da especulação imobiliária em Lisboa. Mas o vereador já reagiu e disse que “não existe contradição”.

A notícia foi avançada esta sexta-feira pelo Jornal Económico. O atual vereador da Câmara de Lisboa para a Educação e Áreas Sociais comprou em 2014, com a irmã, um prédio antigo de três pisos na Rua do Terreiro do Trigo, no bairro típico de Alfama, perto do Museu do Fado.

Depois de comprado o prédio, Robles e a irmã terão investido 650 mil em obras no edifício, tendo, inclusivamente, acrescentado um andar. Segundo o jornal, antes do início de 2018, e depois de terem acordado com a maior parte dos inquilinos a rescisão dos contratos de arrendamento, puseram o prédio à venda numa agência imobiliária de luxo por um valor que daria aos irmãos uma mais-valia potencial de 4,7 milhões de euros.

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Robles foi questionado pelo Jornal Económico quanto à potencial contradição existente neste negócio, uma vez que o bloquista é uma das pessoas que mais tem tecido críticas aos despejos de inquilinos e à crescente especulação no mercado imobiliário, que na última campanha disse ser a Câmara Municipal “promotora”.

No Facebook, o bloquista publicou as respostas que deu ao jornal. Robles confirmou a aquisição do prédio e os valores avançados pelo jornal, mas disse não existir contradição com as convicções políticas que tem manifestado.

Como co-proprietário aceitei que, por razões familiares, o prédio fosse colocado à venda. A venda do prédio foi entregue no final do ano de 2017 à imobiliária, que o avaliou em 5,7 milhões de euros”, afirmou o bloquista, acrescentando que “o prédio não foi vendido e foi retirado do mercado, embora mantenhamos a intenção de venda a breve trecho”.

 

Não há qualquer contradição. O programa eleitoral que apresentei à CML é claro na defesa do direito à habitação e de oposição aos despejos. O casal que vive neste imóvel nunca viu o seu direito à habitação posto em causa. Pelo contrário, viu a sua situação regularizada com um novo contrato, cujo valor de renda, prazo e restantes termos acordou previamente”, respondeu.

Quanto aos inquilinos que ocupavam os espaços daquele prédio, Robles diz que “não é verdade” que tenha havido despejos.

Não é verdade. No momento da aquisição o imóvel tinha cinco contratos de arrendamento ativos: um escritório, uma habitação e três lojas. A todos, logo após a aquisição, foi formalmente comunicada a intenção de manutenção dos respetivos contratos”, respondeu.

Imediatamente após a aquisição do prédio, fui notificado pela CML para realizar obras considerando o mau estado do imóvel e a falta de segurança de pessoas e bens. De imediato transmiti aos inquilinos a minha intenção de manter os seus arrendamentos, se assim quisessem, e regularizei o arrendamento do casal que ocupava a única fração de habitação do prédio” afirmou, explicando ainda que “a necessidade de realizar obras profundas de reabilitação do prédio, inclusivamente no interior das frações, implicou a libertação temporária dos espaços”, sublinhando “que foi acordada com os inquilinos”.

Ainda assim, o vereador diz que mantém a intenção de venda e que, por considerar não existir contradições, o negócio não tem que ter implicações nas propostas políticas.

Mantém-se a nossa intenção de colocar o imóvel no mercado, por decisão familiar. A minha conduta como co-proprietário deste imóvel em nada diminui a legitimidade das minhas propostas para parar os despejos, construir mais habitação pública e garantir o direito à cidade”, sustentou.