Recorrer à actividade de «executive-search» (caça-cabeças) é uma das soluções para acabar com o conceito «jobs for the boys», revela à Agência Financeira o presidente da Boyden Portugal, Fernando Neves de Almeida.

Aliás, no entender do responsável, esta prática de recrutamento deveria ser mais utilizada nos cargos das empresas públicas. «Para acabar com a ideia de que quando o Governo muda, toda a gente é competente deixa de o ser».

«Há quem use técnicas mafiosas para despedir»

No entanto, Neves de Almeida tem algumas dúvidas se esta técnica possa ser aplicada de forma eficiente aos lugares políticos. «Acho louvável aplicar esta prática a pessoas que irão ocupar cargos de empresas públicas, mas tenho algumas dúvidas quanto a lugares políticos, porque envolve mais do coisas do que a competência técnica. Embora há países que já tenham tido essa experiência, ao terem recrutado secretários de Estado e até ministros».

Recrutar mal sai caro

A actividade de «exeutive search» tem vindo a ganhar terreno, tanto que «o custo de recrutar mal é elevadíssimo».

Esta técnica já não é apenas usada por grandes empresas e tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos junto das pequenas e médias empresas (PME). «Ao início quando começamos a grande maioria dos clientes eram multinacionais, hoje em dia as coisas são diferentes. Posso dizer que agora é metade/metade. Temos muitas empresas nacionais a recrutar, mas é preciso ter alguma dimensão para poder suportar o investimento de consultadoria que esta técnica exige».

Para o presidente da Boyden, a explicação para este custo é simples. «As pessoas que apresentamos ao nosso cliente normalmente não estão disponíveis, porque estão a apresentar excelentes resultados no sítio onde estão e, na maior parte das vezes, estão contentes. Essas pessoas são as melhores das melhores e não os melhores dos disponíveis».



Redução de salários

Em época de crise reduzir salários surge como uma medida indesejável mas às vezes necessária, mas Neves de Almeida salienta que «o exemplo tem de vir do topo», refere à AF.

«É preferível reduzir o salário do que despedir, mas para isso tem de haver uma grande confiança entre trabalhadores e entidade patronal, porque aí todos se sentem que estão no mesmo barco. Numa situação de crise, uma empresa que está a reduzir efectivos, a congelar salários, então as pessoas mais bem remuneradas têm de dar o exemplo».
Sónia Peres Pinto