Quase meio século depois de deixar a cidade portuguesa de Fafe em direcção ao Brasil, a família Araújo é actualmente a maior produtora de preservativos da América Latina, com uma produção mensal de 30 milhões de unidades, escreve a Lusa.

Proprietária de uma moderna fábrica na cidade de São Roque, a 70 quilómetros a noroeste de São Paulo, a família portuguesa investiu recentemente cerca de cinco milhões de reais (1,9 milhões de euros) para duplicar a produção.

O número de linhas de produção aumentou de cinco para oito, com a ampliação física da fábrica, que possui agora 15 mil metros quadrados de área construída e um total de 350 funcionários.

Com as novas instalações, a empresa tem a capacidade de aumentar a produção dos actuais 30 milhões de unidades/mês para até 50 milhões de unidades, caso haja procura suficiente.

O próximo passo da Indústria de Artefactos de Látex (INAL) será aumentar as exportações, procurando novos mercados para além dos actualmente existentes -, Caraíbas, Uruguai e Venezuela.

«O nosso grande desafio será o mercado externo porque temos um produto de qualidade e com um preço muito competitivo», disse à agência Lusa o director comercial da INAL.

José Gonçalves Araújo, filho de Adriano Dias Araújo e de Emília Gonçalves, planeia voltar a Portugal para encontrar um parceiro estratégico para os negócios da família no mercado europeu.

«Queremos que Portugal seja a plataforma de distribuição dos nossos produtos na Europa, uma vez que já temos até o registo da marca "Eurosex", que tem tudo a ver com o negócio», disse.

Actualmente, a INAL produz marcas próprias, como «Olla», «Lovetex» e «Microtex», e também marcas de parceiros, como a da BENFAN, a maior organização não governamental (ONG) brasileira no sector do planeamento familiar.

Quando chegou ao Brasil, em 1958, a família viveu dias difíceis. O pai trabalhou como faxineiro e a mãe foi doméstica para pagar as dívidas feitas para custear a viagem.

Depois, a família começou a trabalhar na embalagem de preservativos para um casal de judeus jugoslavo que dirigia uma distribuidora do produto em São Paulo.

«Como todo bom português, nunca gastámos tudo que ganhámos e o nosso sonho sempre foi abrir um negócio próprio, uma padaria ou um pequeno mercado», lembrou Araújo.

Em 1969, o casal de judeus convidou a família portuguesa para ser sócia na distribuição de preservativos, o que resultou na abertura de uma pequena loja.

O negócio cresceu e a pequena loja transformou-se numa grande distribuidora de produtos farmacêuticos, até que a família portuguesa adquiriu a parte do casal jugoslavo.

Em 1978, a multinacional Johnson&Johnson adquiriu todas as máquinas do principal fornecedor de preservativos, o que obrigou a família a tomar uma difícil decisão.

«Naquele momento, ou saíamos de vez do mercado de distribuição de preservativos ou então apostávamos todas as fichas na montagem de uma pequena fábrica própria», afirmou.

«Optámos pelo segundo caminho e, com muito trabalho, conquistámos o que temos hoje. Foi assim que tudo aconteceu», salientou Araújo.