Dia a dia e jogo a jogo. Bruno Lage manteve o discurso-tipo dos últimos meses na véspera do jogo mais importante da época para o Benfica.

Também por isso, o técnico dos encarnados ainda não se imaginou a celebrar no Marquês até porque, antes disso, há ainda um ponto a separar as águias deste cenário.

Um cenário agora palpável mas que estava distante do horizonte do universo benfiquista quando a 3 de janeiro de 2019 Bruno Lage foi confirmado como sucessor de Rui Vitória na ressaca de uma derrota em Portimão que deixou as águias a sete pontos do líder FC Porto e o objetivo da reconquista praticamente inalcançável.

Caso vença o campeonato neste sábado, o Benfica torna-se na primeira equipa em 85 edições da prova a alcançar a proeza depois de recuperar de um défice tão acentuado. Mas terá sido isso que lhe foi pedido quando foi promovido da equipa B das águias?

«Acho que não me foi pedido nada. As coisas tinham de ser assim na situação em que nós estávamos. Falei convosco na altura sobre isso e disse que tinha de ser por fases. A primeira era começar a jogar bom futebol para reconquistar os adeptos; vencer jogos para reconquistar os adeptos. Penso que a partir do quarto, quinto, sexto jogo, começámos a sentir isso. Sentimo logo um ambiente forte no primeiro jogo, quando estamos a perder 2-0 com o Rio Ave, e sentimos o adepto a não desistir da equipa. Demos uma resposta muito positiva mas as pessoas iam ver que Benfica se ia apresentar no futuro próximo», abordou.

«A determinada altura as coisas começaram a ligar-se: a relação entre a equipa e o adepto. Começou a lutar-se mais, com um apoio enorme em casa, fora de casa, nos aeroportos, nos hotéis. Depois, foi agir com naturalidade e as coisas foram acontecendo com naturalidade. Fomos vivendo o dia a dia, jogo a jogo e a determinada altura de final em final até chegarmos a esta situação que nos deixa dependentes de nós», acrescentou.

Recorde-se que o Benfica de Bruno Lage soma 17 vitórias e um empate em 18 partidas. Confrontado com este registo, o técnico setubalense foi questionado se os encarnados serão um justo vencedor da Liga «se a justiça imperar». «Isso não é importante. O que é importante é haver o reconhecimento do trabalho que estamos a fazer. Isso é que é importante.»

David Marques / Centro de treinos do Benfica, Seixal