A Renault nomeou o português Carlos Tavares para número 2 da sua hierarquia, apenas abaixo do presidente executivo Carlos Ghosn. A informação foi confirmada pela empresa francesa esta tarde de segunda-feira, depois da agência Bloomberg ter noticiado a nomeação citando uma fonte próxima do processo de decisão.

O gestor português, de 52 anos, era até agora o máximo responsável da Nissan Motor para as Américas. Tavares substitui Patrick Pelata (até agora Chief Operating Officer, ou Diretor de Operações), que abandonou funções devido ao seu papel numa investigação falhada a um caso de espionagem industrial que envolveu a Renault.

A Bloomberg cita uma fonte «com conhecimento directo da decisão», mas que «pediu anonimato porque a decisão ainda não foi anunciada» oficialmente.

Ainda de acordo com a Bloomberg, na sequência da nomeação de Tavares, Carlos Ghosn concordou em desempenhar um papel mais activo nas operações do dia a dia da Renault, bem como centrar-se mais na gestão do fabricante automóvel francês. Ghosn também gere a Nissan.

Já Caroline De Gezelle, uma porta-voz da empresa francesa, escusou-se a comentar a decisão de nomear Carlos Tavares suceder a Pelata.

A empresa confirmou o nome do português, ao final da tarde desta segunda-feira.

Governo pressiona

O governo francês, maior accionista da Renault com 15 por cento, tem vindo a pressionar a empresa para encetar uma liderança mais clara da sua aliança com a Nissan (detida a 43,4 por cento pela Renault).

Pelata aceitou em Abril afastar-se das suas funções após pressões do governo francês na sequência do afastamento irregular de três executivos de topo.

No entanto, à medida que Ghosn fortalece o seu envolvimento na Renault, o seu número 2 (Tavares) terá um pouco menos de poder do que aquele que foi cedido a Pelata em 2008, e que na prática se traduzia em controlo operacional total das actividades diárias da empresa.

Tavares entrou para a Renault em 1981, depois de se licenciar na Ecole Centrale. Como vice-presidente da Nissan para as Américas, cortou nos custos de fabrico da empresa japonesa ao expandir a produção para o México e assegurou um financiamento de 1,6 mil milhões de dólares do Departamento de Energia dos Estados Unidos para uma fábrica de baterias de carros eléctricos.

[Notícia actualizada às 19h28 com confirmação da empresa]
Redação / LF