A chanceler alemã, Angela Merkel, excluiu este domingo a possibilidade de o Estado tomar uma participação directa no capital do construtor automóvel Opel, para salvar a empresa, depois de o ministro do Trabalho ter levantado essa hipótese.

«Não temos intenção de o fazer» [adquirir uma participação na Opel], disse a chefe do Governo federal alemão numa entrevista à televisão pública citada pela Lusa.

A ideia da entrada no capital da filial alemã da General Motors tinha sido lançada pelo ministro do Trabalho, Olaf Scholz, do partido social-democrata, parceiro de coligação no governo chefiado por Angela Merkel.

Uma decisão do género «não seria uma boa ideia», afirmou a chefe do executivo alemão.

Numa entrevista publicada hoje pelo jornal Bild, o ministro do Trabalho tinha defendido que «não há que ter medo de tomar essa decisão», mas acrescentando que a entrada no capital da Opel não deveria ser «numa perspectiva de longo prazo».

Este episódio alimenta a polémica no seio da coligação entre os conservadores da CDU, de Ângela Merkel, e os social-democratas do SPD, a seis meses das eleições legislativas.

Já anteriormente um dirigente da CDU, Volker Kauder, tinha considerado «totalmente fora de questão», a entrada directa do Estado no capital da Opel para a salvar, defendendo que «as regras devem ser as mesmas para todas as empresas».

A Opel, que emprega 26 mil pessoas na Alemanha, reclama 3,3 mil milhões de euros do Estado alemão para evitar a falência, mas o Governo já disse que continua à espera de clarificações do plano de relançamento da empresa e sobre o futuro da casa-mãe, a norte-americana General Motors.
Redação / CPS