As principais associações espanholas do sector automóvel solicitaram esta sexta-feira ao Governo um pacote de ajudas directas à compra de veículos avaliadas em cerca de 560 milhões de euros.

Onze associações do sector reuniram-se, em Madrid, com o presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (CEOE), Gerardo Díaz Ferrán, para apresentarem um documento conjunto para combater os problemas que afectam o sector.

Trata-se, segundo o texto, de procurar medidas que articuladas com programas já em vigor possam ajudar a incentivar a procura de automóveis e a preservar empregos no sector, um dos mais afectados pela crise.

As medidas incluem ajudas directas de 1.200 euros para a compra de ligeiros e comerciais ligeiros; de 3.000 euros para a veículos industriais médios e de 12 mil euros para camiões de mais de 16 toneladas.

Se as medidas se concretizarem, insistem as associações, será possível gerar uma procura adicional anual de 150 mil veículos.

Díaz Ferrán disse na apresentação das propostas que o sector vive uma situação «dramática», advertindo que o sector espanhol deixou de fabricar 900 mil veículos entre 2008 e 2009.

No ano passado registaram-se menos 575 mil veículos e este ano menos 340 mil, segundo Ferrán.

Daí, insistiu, é necessário um plano de rejuvenescimento e dinamização das vendas, promovendo a troca de ligeiros com mais de 10 anos e de veículos industriais com mais de sete, com uma ajuda directa para a compra de carros novos ou usados com menos de cinco anos.

Apesar das medidas custarem 560 milhões de euros, isso ficaria aquém das perdas de 800 milhões de euros de receitas para os cofres públicos pela redução nos registos.

A produção de veículos automóveis em Espanha, tanto ligeiros como industriais, tem vindo a cair significativamente nos últimos meses, devido à quebra de vendas, existindo actualmente um stock estimado de 400 mil veículos.

Mais 10 mil trabalhadores em risco

Estimativas do sector afirmam que já se perderam milhares de postos de trabalho, tanto na produção como na venda e que os concessionários podem ainda afastar mais 10 mil trabalhadores se a situação não melhorar.

A contribuir para a queda nas vendas está tanto a menor procura como as maiores dificuldades no acesso ao crédito da banca.
Redação / JF