O grupo parlamentar do PS vai fazer um levantamento da legislação relacionada com as juntas médicas para averiguar se é necessária alguma alteração, disse esta quinta-feira a deputada Maria de Belém Roseira, citada pela Lusa.

Esta foi uma das conclusões de uma reunião de trabalho entre deputados socialistas e a Ordem dos Médicos, que defende que as juntas médicas sejam integradas apenas por profissionais de saúde, que deverão receber formação específica em medicina da segurança social e seguros.

A questão surge depois de, no último mês, terem sido noticiados na comunicação social dois casos extremos de professores, doentes com leucemia e cancro na laringe, que foram reenviados de volta às escolas onde leccionavam pelas juntas médicas que os avaliaram. Os professores acabaram por morrer no activo.

Maria de Belém disse que a reunião com a Ordem dos Médicos serviu para «trocar impressões para saber o que é necessário fazer para que as juntas médicas sejam rigorosas e tenham sensibilidade em relação às questões que analisam».

Em declarações anteriores, o bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, considerou «inaceitável» a presença de indivíduos não médicos nas juntas, uma situação comum nas juntas médicas da polícia e dos militares, e até há pouco na Assistência na Doença aos Servidores do Estado (ADSE).

Sobre os casos específicos dos dois professores, o bastonário disse apenas que «um sistema que permite que casos destes aconteçam tem de ser alterado» e defendeu a criação de critérios mais rigorosos na reintegração de doentes nos respectivos serviços.
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