A ex-ministra da Justiça aproveitou o período de antes da ordem do dia na Assembleia da República para subir à tribuna e, «com emoção», despedir-se dos seus colegas deputados.

«É aqui que devo prestar contas daquilo que fiz e das razões porque amanhã renunciarei ao meu mandato na Assembleia da República», afirmou Celeste Cardona, lembrando que desempenha funções de deputada desde 1999 (com mandato suspenso durante os dois anos em que esteve no Governo).

Na sua primeira intervenção em plenário desde que retomou o mandato no início da actual sessão legislativa, Cardona explicou que considera o exercício das novas funções que vai desempenhar «incompatível com o mandato de deputada».

«Dirijo-me a todos e a cada um de vós, que tal como eu sempre procuraram defender um bem fundamental: o melhor para Portugal e para os portugueses», afirmou Celeste Cardona, numa intervenção que não mereceu qualquer pedido de esclarecimento por parte dos deputados.

Ao Presidente da Assembleia da República, Mota Amaral, a ex- ministra da Justiça deixou o seu «reconhecimento e agradecimento».

«É com pena que a vejo partir», respondeu Mota Amaral.

Celeste Cardona foi nomeada para a administração da Caixa Geral de Depósitos pelo ministro das Finanças Bagão Félix, uma decisão que tem sido criticada pela oposição e que o Bloco de Esquerda classificou como «troca de favores partidários».