A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou duvidar da capacidade da economia global para enfrentar a atual escalada de tensões comerciais e as divergências monetárias entre as economias avançadas e emergentes.

"A economia é forte, o crescimento é forte, mas será a economia suficientemente forte? Eu não tenho certeza disso, o crescimento está a estagnar e está distribuído de forma desigual", disse Christine Lagarde, à margem da assembleia anual do FMI e do Banco Mundial, que decorre até domingo, em Bali, na Indonésia.

Em conferência de imprensa, a responsável do FMI indicou que a combinação entre a incerteza sobre o quadro regulamentar do comércio internacional, os elevados custos de financiamento nos países emergentes e a normalização da política monetária nos Estados Unidos envolvem riscos "sem precedentes".

Christine Lagarde insistiu na necessidade de reduzir as tensões comerciais, especialmente entre os EUA e a China, argumentando que uma escalada da tensão será prejudicial para vários países.

Lagarde deixou um conselho, dividido em três partes: "Abrandem [a escalada da tensão]. Consertem o sistema. Não o destruam".

A responsável disse acreditar que até agora não se registou "um contágio" e grandes danos causados pelas tarifas sobre as exportações impostas por Pequim e Washington, mas sublinhou existir o risco de se prejudicarem "atores internacionais passivos”.

Na terça-feira, o FMI publicou as novas projeções macroeconómicas, que apontam para uma redução na expansão da economia global (3,7% em 2018 e 2019), como consequência das dúvidas provocadas pelas tensões económicas entre Washington e Pequim.

Também à margem desta assembleia anual, o presidente do Banco Mundial (BM) afirmou estar a trabalhar com os países em desenvolvimento para se prepararem para uma possível deterioração do conflito comercial.

Se as taxas continuarem a subir haverá uma "clara desaceleração [da economia] e o impacto nos países em desenvolvimento será maior", avisou Jim Yong Kim.

"O comércio é fundamental porque foi isso que tirou as pessoas da pobreza extrema”, argumentou o responsável do BM.

"Eu sou um globalista (…) Esta é a nossa única alternativa para acabar com a pobreza extrema. Precisamos de mais comércio e não menos comércio", concluiu.