A Casa da Música homenageia domingo o cineasta Manoel de Oliveira, na passagem dos seus 100 anos, com um espectáculo multidisciplinar que revisita Aniki-Bóbó, a primeira longa-metragem do mais laureado dos realizadores portugueses, escreve a Lusa.

Sob a coordenação do violoncelista Ernst Reijseger, integram a concepção desta obra alunos de várias escolas vocacionais, músicos profissionais e outros artistas, como actores e bailarinos bem como elementos sem qualquer formação especializada, nascidos nas zonas ribeirinhas.

Este trabalho conta também com as participações do coreógrafo, bailarino e percussionista António Tavares e do videasta Tiago Pereira, que estabelece os paralelismos entre o filme de 1942 e a peça de 2008 através do registo de imagem.

O projecto contou já com um concerto, a 23 de Fevereiro, onde Ernst Reijseger se encontrou com o universo de Aniki-Bóbó pela primeira vez.

Participam nesta obra várias comunidades locais, nomeadamente a Adilo - Agência de Desenvolvimento Integrado de Lordelo do Ouro, com os New Generation, o Colégio Barão de Nova Sintra, Escola Salesiana Colégio dos Órfãos do Porto, com os dance balance, KSP - Kurtir Sem Preconceitos, a Oficina de S. José, Projecto Pular a Cerca (ll), Projecto Lagarteiro e o Mundo, com os Puppets.

A Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo a Escolas de Música Guilhermina Suggia, Escola Profissional de Música de Espinho, Escola de Música de Esposende, Academia de Música de Espinho, Academia de Música de Vilar do Paraíso e o Grupo Musical de Fiães são outras entidades envolvidas nesta obra.

De regresso aos cenários naturais do filme - as zonas ribeirinhas do Porto e Gaia - a obra «recriou», numa perspectiva contemporânea, a história intemporal de Carlitos e seus companheiros.

«Integrado no plano de compromisso da Casa da Música com as diferentes comunidades, tendo em vista a sua integração social e uma participação activa na vida cultural, este projecto permitiu desenvolver um trabalho contínuo, ao longo de vários meses, num tecido urbano tradicionalmente associado a situações de exclusão», afirma a sinopse distribuída pela Casa da Música.

«De Janeiro a Julho, 150 pessoas entregaram-se a um projecto que traz um novo olhar sobre Aniki-Bóbó, e que agora chega ao fim com um concerto onde vão estar presentes Manoel de Oliveira, Teresinha e Carlitos», afirma o documento.

Rodado em 1942, o filme de Manoel de Oliveira confronta os espectadores, através de Carlitos, Teresinha e os seus companheiros de brincadeira, com questões e dilemas que acompanham o ser humano.