Entre vencedores e derrotados, discursos emocionados e o desfile de estrelas na passadeira vermelha, um dos elementos chave de qualquer gala dos Óscares é o apresentador. Depois do flop na aposta da jovem dupla Anne Hathaway e James Franco, em 2011, e no regresso ao clássico (e já algo enfadonho) Billy Crystal, há um ano, desta vez o anfitrião da noite será alguém que só recentemente começou a dar os primeiros passos em Hollywood.

Seth MacFarlane tem 39 anos e é o criador das séries politicamente incorretas «Family Guy», «American Dad» e «The Cleveland Show». Em 2012 estreou-se no cinema com «Ted», escrevendo e realizando o filme em que também deu vida a um urso de peluche desbocado, amigo do álcool, drogas e sexo. O sucesso global desta película «para maiores de 18» traduziu-se em mais de 405 milhões de euros nas bilheteiras em todo o mundo e abriu novas portas a MacFarlane.

Mas o que esperar de um comediante sem papas na língua e que é criticado por várias associações de telespectadores nos EUA por fazer piadas sexistas, racistas e homofóbicas ou sobre doenças graves e deficiências físicas? Os produtores dos Óscares recusam a ideia de estarem a brincar com o fogo, em busca de novos públicos mais jovens e mais ligados às novas tecnologias.

«Não estamos nervosos porque ele mantém-nos a par de tudo o que está a preparar», contou Craig Zadan à agência Reuters.

O co-produtor da cerimónia de domingo elogiou a versatilidade da voz de MacFarlane, ideal para os muitos momentos musicais planeados, e acrescentou que o burburinho à volta da escolha do novo apresentador poderá mesmo ajudar nas audiências.

«Adoramos a expetativa criada pela novidade que é o Seth e adoramos o facto que as pessoas não sabem bem o que esperar dele como apresentador. Achamos que isso só aumenta o interesse pela gala.»

Quem ainda não conhecia o sentido de humor de Seth MacFarlane, ficou com uma pequena amostra do que poderá acontecer quando o apresentador anunciou os nomeados para os Óscares juntamente com Emma Stone, em janeiro. Comentando a nomeação de «Amor» para Melhor Filme Estrangeiro, disse: «Da última vez que a Alemanha e a Áustria co-produziram algo saiu-nos o Hitler, portanto isto é bem melhor».

A piada chocou os mais sensíveis e lembrou os três anos de Globos de Ouro apresentados por um Ricky Gervais que não teve qualquer problema em fazer pouco das grandes estrelas de Hollywood. Será que os grandes egos no mundo do cinema estarão preparados para o mesmo tipo de tratamento nos Óscares?

Em jeito de brincadeira (ou talvez nem tanto), o próprio Seth MacFarlane lá vai avisando: «Sou o homem errado para apresentar os Óscares». Em entrevista à CNN, o apresentador dos Óscares disse que não há limites nem assuntos tabu no que toca ao humor. Vamos, portanto, esperar o inesperado.

Para já, MacFarlane tem duas certezas: Adele vai vencer na categoria em que ele está nomeado (Melhor Canção Original, com «Everybody Needs a Best Friend»), e o seu desempenho como apresentador receberá muito poucas críticas positivas.

«O que quer que seja que eu faça, parto logo com uma desvantagem de 10 pontos negativos. Vou ter de me esforçar muito para ter pelo menos uma crítica decente», explicou à ABC News. É que o humor auto-depreciativo é também outra das suas armas: «Serei lembrado como o apresentador mais surpreendentemente e brilhantemente medíocre de sempre».





Redação / JCS