O dia 5 de agosto de 1962 trouxe uma notícia inesperada: Marilyn Monroe tinha falecido, com apenas 36 anos, enquanto dormia na sua casa, na Califórnia. Aparentemente, uma overdose de comprimidos foi fatal. A causa oficial da morte foi suicídio, mas os 50 anos seguintes encarregaram-se de provar que Marilyn está mais viva do que nunca.

A morena Norma Jean Mortenson teria feito 86 anos este ano. Como nunca conheceu o pai e a mãe foi internada num hospício, passou a infância entre lares adotivos, onde terá sido abusada sexualmente. Quando se convenceu a ser uma estrela, pintou o cabelo e mudou de nome: Marilyn porque estava na moda, Monroe pela família materna.

Segundo a biógrafa Lois Banner, ouvida pela AP, tudo nela fazia parte de uma «imagem construída» para o sucesso: o cabelo pintado de loiro, muita maquilhagem, a voz sussurrante e a forma de caminhar provocante. A atriz era «extremamente inteligente», garante.

Norma Jean casou e divorciou-se três vezes, com James Dougherty, Joe DiMaggio e Arthur Miller, e foi a mais famosa amante do presidente norte-americano John F. Kennedy. Participou em dezenas de filmes, ganhou um Globo de Ouro e terá sido muito pelo desespero de ser levada a sério em Hollywood que desistiu de viver. Apesar dos enormes sucessos como «Os Homens Preferem as Loiras» e «O Pecado Mora ao Lado», não foi o cinema que a eternizou, com muita pena do historiador Leonard Maltin. «Marilyn salta para fora do ecrã. Ela tinha uma luminosidade que transcende tudo o resto», comentou.

A eternidade de Marilyn Monroe explica-se com outras razões, segundo Lois Banner. «Primeiro, porque morreu muito cedo», ficando a sua imagem parada no tempo. Depois, porque milhares de imagens a mantêm viva. «Ela foi, provavelmente, a pessoa mais fotografada do século XX», acrescentou. E ainda porque «há muita gente a ganhar dinheiro com ela».

É o caso de Jamie Salter, cuja empresa adquiriu recentemente os direitos de imagem de Marilyn. O objetivo é «seduzir o mundo com produtos que captam a personalidade, o estilo, o glamour e a elegância da atriz lendária», através de uma linha de cosméticos, salões de beleza, roupas desportivas, malas, ou seja, tudo o que venda. «Ela sabia que era uma marca. Eu tenho a melhor modelo do mundo», resumiu o empresário.

A falecida atriz também está nas redes sociais e até há mesmo planos para um reality show, com mulheres a competirem para se tornarem iguais a ela. Candidatas não deverão faltar, porque Marilyn Monroe é cada vez mais um fenómeno da cultura pop. Scarlett Johansson, Charlize Theron, Lindsay Lohan, Christina Aguilera, Gwen Stefani, Madonna, Lady Gaga são apenas algumas das estrelas que em algum momento exageraram no cabelo loiro e nos lábios vermelhos para recordar Marilyn.

«A maioria das mulheres com menos de 40 anos não viu os filmes dela. Para elas, ela representa apenas um estilo», explicou Brandon Holley, editor da revista «Lucky», cujas leitoras são jovens mulheres que nasceram já depois de Marylin ter desaparecido.

Ainda no ano passado, o famoso vestido branco que foi levantado com o vento provocado pelo metro de Nova Iorque foi vendido por 5,6 milhões de dólares num leilão. Christopher Nickens, co-autor da obra «Marilyn in Fashion», destaca que a falecida estrela «ainda personifica um certo ideal feminino», tal como outros ícones como Jackie Kennedy, Grace Kelly e Audrey Hepburn. «Elas não seguiam as tendências. Trata-se de te conheceres a ti próprio, de saberes o que funciona contigo e de teres confiança», enumerou.

Confiança, infelizmente, foi o que faltou a Marilyn. Onze anos depois da sua morte, Elton John pintava uma vítima inocente da máquina hollywoodesca em «Candle in the Wind» e foi esta a imagem que permaneceu na maioria dos fãs. As teorias da conspiração é que continuam: 50 anos depois, ainda há quem acredite que Norma Jean foi assassinada pela sua relação com os Kennedy, pelo FBI ou pela Máfia.