Com o slogan «Em Outubro, o Mundo inteiro cabe em Lisboa», o DocLisboa 2011 apresentou esta quinta-feira a programação. A nona edição deste Festival Internacional de Cinema compreende 172 filmes com origem em 33 países; mas guarda ainda um mistério para o último dia com a promessa de um filme-surpresa de um autor de renome.

Foi confessando a «preocupação de centrar o número de salas e diminuir o número de filmes», que a directora do DocLisboa, Anna Glogowski, descreveu um pouco a programação dando destaque às sete estreias internacionais, às cinco estreias mundiais e às 17 primeira obras (quatro das quais da selecção portuguesa) que vão ver-se em Lisboa. E três filmes já têm estreias previstas depois do festival.

Sobre o filme-surpresa, Anna Glogowski explicou que o segredo se deve a questões jurídicas que impedem que o filme seja anunciado nesta altura, sabendo-se já que será exibido no último dia do Doc Lisboa. Augusto M. Seabra, programador do festival, revelou ainda que o filme é da autoria de «um dos grandes documentaristas da actualidade» e que o anúncio «será feito 2 ou 3 dias antes do festival».

A secção Riscos foi uma das destacadas pela organização, onde há filmes desde o minuto e 40 de duração até às seis horas: e onde estão também «A Torre», de Nuno Lisboa, e «O Nosso Homem», de Pedro Costa (que irá estar presente). A produção nacional estará também representada na Competição Internacional com «É na Terra Não é na Lua» de Gonçalo Tocha.

Entre as várias secções da programação estão em destaque três retrospectivas; uma delas intitula-se «Movimentos de Libertação em , Moçambique, Angola e Giné-Bissau (1961-1974); as outras são dedicadas a Jean Rouch e a Harun Farocki.

A retrospetiva dedicada a Jean Rouch é feita em parceria com a Cinemateca Portuguesa, que prolongará o trabalho do cineasta francês até ao mês de Novembro através da projecção de 58 filmes dele e mais quatro sore ou com ele.

«Harun Farocki ou o cinema como pensamento crítico» é a retrospectiva dedicada ao realizador alemão que tem ao mesmo tempo uma exposição sua de instalações vídeo no Palácio Galveias. Intitulada «Três Duplas projecções», a exposição que abre ao público já esta sexta-feira apresenta os trabralhos de Farocki «Schnitstelle», «Watson is Down» e «Immersion» (estas duas últimas da série «Serious Games»).

Augusto M. Seabra quer esta exposição como parte integrante da programação do DocLisboa e não (apenas) como actividade paralela do festival onde o documentário manda. E há várias outras ofertas na programação para além dos filmes, como actividades pedagócigas, o workshop de realização com Sérgio Tréfaut, uma mastercalass com Farocki, o clico CPLP, o Docs 4 Kids ou o Lisbo Docs 2011.

Entre os filmes em destaque neste dia de apresentação do festival voltaram a estar os já conhecidos que vão fazer a abertura e o encerramento. «Crazy Horse», de Frederick Wiseman, abrirá o festival; Photographic Memory», de Ross McElwee fará o fecho; e ambos os realizadores estarão presentes.

A antestreia nacional de «George Harrison: Living in the Material World», de Martin Sorsese, também já era conhecido no programa, mas é apenas um dos pontos de interesse de uma eclética secção «Heart Beat». A par do também já revelado «This is Not a Film» sobre o prisioneiro Jafar Panahi, destacam-se também um novo episódio da série «Agnés de ci de lá Varda», da cineasta de nacionalidade francesa, e «Sodankylä Forever: the Yearning for the First Cinema Experience», do finlandês Peter von Bagh, o presidente do júri da Competição Internacional.

O DocLisboa 2011 vai decorrer entre os dias 20 e 30 de Outubro e passa pelas salas da Culturgest, pelos cinemas São Jorge e Londres, pelo Teatro do Bairro e pela Cinemateca Portuguesa.